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GASLIGHT: o que é e o que pode causar

Atualizado: 4 de jul. de 2023


O termo "Gaslighting" refere-se a uma forma de comportamento abusivo em que uma pessoa busca minar a confiança e a sanidade mental de outra pessoa, com o objetivo de mantê-la sob controle.



Embora o termo tenha sido cunhado na década de 1930, o Gaslighting ainda é uma realidade atual que afeta muitas pessoas.


Neste artigo, abordaremos o fenômeno do Gaslighting explorando suas raízes, causas e consequências, bem como as possíveis formas de tratamento e prevenção deste tipo de abuso emocional.



De onde vem o termo "Gaslight"?


O termo "Gaslight" vem de clássico filme de suspense de 1944, estrelado por Ingrid Bergman e Charles Boyer, o filme conta a história de uma jovem mulher chamada Paula, que herda uma casa de sua tia assassinada.


Enquanto mora na casa com seu marido, o personagem interpretado por Boyer, coisas estranhas começam a acontecer e Paula começa a questionar sua própria sanidade.


A atuação brilhante de Bergman como a protagonista que é vítima de uma forma de abuso psicológico conhecida como "gaslighting" e a direção habilidosa de Cukor criam um clima de tensão crescente que mantém o espectador preso à trama até o final.


"Gaslight" foi indicado a sete Oscars e é amplamente considerado um dos melhores filmes de suspense já feitos.



O que é Gaslight?


O gaslight é uma prática de manipulação em que se tem a emoção e a própria realidade negada por alguém que quer transformar a relação (seja qual for) em algo hierárquico e desigual para obter poder e controle sobre a pessoa que recebe a manipulação.


Quem a recebe fica em confusão, duvida de si mesmo e seu senso de realidade se perturba. Alguns exemplos são:


"Pare de ser tão sensível"

"Supere isso"

"Voce está bem? Está dizendo umas coisas esquisitas"

"Você não tem o direito de se sentir assim"

"Você é ..." e define quem você é, geralmente com estereótipos

"Eu nunca disse isso"

"Isso nunca aconteceu"

"Acho que você está surtando, você precisa de ajuda"

"Por que você não leva na brincadeira?"

"Por que você está sempre tão bravo?"

"Por que você não esquece do passado?"

"Parece que você está exagerando."

"Desculpe se você fez a você mesmo se sentir desse jeito."

"Não tem porque você se sentir assim." "Ninguém nunca vai te aceitar/amar como eu."

O gaslight geralmente acontece em reação a um apontamento que alguém faz sobre algum fato ou característica que o manipulador quer negar sobre ele mesmo.

Esta prática pode ter sutilezas como uma "preparação de terreno" onde o manipulador afirma algo na espera de uma reação emocional do manipulado, com isso o manipulador consegue atestar o rótulo que deu ao manipulado.


E ainda quando não há reação emocional do manipulado, o manipulador pode ainda sim forçar sua própria narrativa, opinião ou desfecho sobre o manipulado.


A regra é: Não engaje. Saiba quem você é e fique firme no seu senso de realidade.


Em adição ao à manipulação direta, existem também outros 2 tipos de gaslight, o secundário e o terciário. No secundário amigos e família podem ecoar algo do conteúdo da manipulação.


Amigos e família, muitas vezes não intencionalmente, podem tomar a narrativa do manipulador como algo que faz sentido ou é razoável, tornando a dúvida e a confusão ainda maiores.


O gaslight terciário é o sofrido por profissionais da saúde, incluindo psicólogos e psiquiatras. Acontece quando as presunções são mais rápidas do que a relação que há de ser construída com o paciente, ou apenas pelo não domínio sobre o assunto.


Esta prática costuma funcionar por que todos nós internalizamos os vieses do mundo, premissas sobre gênero, nacionalidade, visão política, etc. Desse modo, em um lugar de confusão sobre nós mesmos, questionamos se nós temos realmente um problema.





Os Efeitos da Exposição à Manipulação


Quando alguém é submetido a manipulação por um longo período de tempo, pode experimentar efeitos emocionais e psicológicos prejudiciais que afetam suas relações interpessoais, aumentam o medo da rejeição e prejudicam seu desenvolvimento como pessoa.


A manipulação prolongada pode levar a sentimentos de insegurança, ansiedade e desespero e até mesmo ser persuadido coercitivamente a adotar uma realidade que não é sua.


Abaixo descrevo os diferentes tipos de possíveis abusadores com base na classificação psiquiátrica e indico em quais tipos o gaslight é mais provável. É importante ressaltar que estas características existe em algum espectro em todos nós.


Pessoas do Cluster A

Pode ser sentido como manipulação mas não é.

  • Paranóico: Tem um padrão de desconfiança e hostilidade que podem fazer com que a pessoa com a qual se relaciona possa experimentar violação de privacidade, torpor emocional, medo e ansiedade.

  • Esquizóide e esquizotipico: São pessoas que são mais solitárias por natureza e não respondem tanto ao estímulo do outro. A pessoa com a qual se relacionam podem se sentir igualmente solitárias.


Manipuladores do Cluster B

Aqui pode ocorrer o gaslight e outras formas de manipulação

  • Antisocial: São pessoas impulsivas que buscam reações emocionais extremas do outro por conta de seu tédio e vazio. São irresponsáveis e tem comportamento criminoso. A pessoa com a qual se relacionam podem experimentar torpor emocional causado pela super estimulação que recebem, choque e extrema falta de segurança. O gaslight pode aparecer num formato em que a idéia de que o afastamento não pode ocorrer, de que é o abusador que possui o direito e controle sob o outro ou então de que o outro deve tudo ao abusador.

  • Narcisista: Quer mais do que lhe é compartilhado, é arrogante e tem uma visão grandiosa de si mesmo. Aqui a manipulação pode ser insidiosa e geralmente duradoura. O manipulador pode espalhar rumores sobre a pessoa com a qual se relaciona, articular uma campanha de difamação com outras pessoas, fazer críticas não construtivas, invalidar emoções, convencer o outro de que ele é o problema e não se responsabilizar nunca por nada. Isso pode causar torpor emocional, dúvidas sobre si mesmo e sobre a realidade, depressão e ansiedade em quem se relaciona com o narcisista. Saiba mais sobre este tipo de comportamento.

  • Borderline: Ele idealiza e desidealiza o outro, hora ocupa o papel de vítima, hora é agressivo. Pode acusar falsamente, agredir e criticar. A pessoa que se relaciona com o borderline pode experimentar torpor emocional e cansaço. O gaslight pode aparecer na forma em que o borderline idealiza o outro, o declarando como alguém supremo e de suma importância e também quando o desidealiza, transformando-o em uma pessoa terrível e sem valor.

  • Histriônico: Sedutor, encenador, busca atenção. Constrói fantasias ou cenas concretas de triangulação sem se importar com sentimentos alheios. A pessoa que se relaciona com o histriônico pode ter o sentimento de incredulidade e raiva.


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Pessoas do Cluster C

Pode haver manipulação menos insidiosa

  • Evitativo: É uma pessoa que tem medo de ter vergonha e passar por alguma humilhação. Aqui há uma evitação passiva, diferente da do esquizoide. A pessoa que se relaciona com uma pessoa evitativa pode experimentar frustração, desapontamento e torpor emocional. Não necessariamente há manipulação na relação.

  • Dependente: Ele busca suporte no outro, lhe falta confiança e é indeciso. A manipulação pode ocorrer no sentido de manter a pessoa com a qual tem uma ligação. Quem se relaciona pode se sentir exaurido de seus recursos, frustrado e ao mesmo tempo lisonjeado.

  • Obsessivo compulsivo: Pode ser perfeccionista, teimoso e rígido. Ao longo do tempo vai se tornando menos disponível para o outro, que vai se sentindo menos importante. A pessoa que se relaciona com o obsessivo se sente escrutinado, criticado e controlado, pode haver também um torpor emocional. Não necessariamente pode haver manipulação na relação.

Quando uma pessoa é submetida à manipulação por um longo período de tempo, ela pode deixar de se desenvolver e de experimentar coisas novas.


Isso pode ser causado pelo sentimento de torpor emocional e falta de motivação que se instalam, fazendo com que a pessoa se prive ou tenha medo de errar, aprender e até mesmo rir de si mesma, o que prejudica seu desenvolvimento pessoal.




Conclusão


O fenômeno do gaslighting é uma forma insidiosa e predatória de abuso psicológico que pode ter efeitos consideráveis na vida de suas vítimas.


Embora a manipulação e a negação de fatos possam parecer sutis, ao longo do tempo, a vítima pode começar a duvidar de sua própria percepção da realidade e questionar sua sanidade.


É importante que as pessoas estejam cientes dos sinais de gaslighting para se proteger desse tipo de comportamento.


Se sofreu gaslighting, é essencial procurar ajuda de um profissional de saúde mental ou de um grupo de apoio para se recuperar e reconstruir sua autoconfiança e entrar novamente em contato com a sua realidade.




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Psicóloga Bruna Lima

CRP 06/130409

Bruna Lima Psicóloga Clínica

Psicblima@gmail.com

+55 11 99411-3832

Bruna Lima é psicóloga clínica com mais de 5 estrelas no Google. Graduou-se em Psicologia pelo Centro Universitário FMU  e tem 10 anos de experiência em psicologia clínica.

Cadastrada E-psi, atende on-line a brasileiros expatriados há 10 anos.

Possui três especializações/certificações em psicanálise pelas instituições:

Bruna também é colunista no AllPopStuff e tem um canal no YouTube.

Com sua sólida formação, Bruna utiliza abordagens psicanalíticas personalizadas para ajudar cada paciente adulto.

Oferece atendimento online e presencial. Entre em contato para agendar.

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