Como saber se você ama alguém de verdade: o que a psicologia tem a dizer aos homens
Você ama alguém de verdade quando se interessa por quem essa pessoa é, e não apenas pelo bem-estar que ela proporciona. Numa relação amorosa, isso pede que os dois reconheçam a alteridade um do outro: cada um é alguém à parte, e não uma extensão de quem está ao lado. Se o que te prende é o conforto, o cuidado ou o olhar dela, talvez seja outra coisa, e este texto ajuda a diferenciar.

A dúvida que você não consegue nomear
Escrevo isto a partir do que venho escutando dos homens hétero no meu consultório, mas isto também se encaixa para mulheres em alguns casos. São homens em relacionamentos, alguns há muitos anos, que chegam com uma queixa difícil de explicar. Eles gostam da vida que a relação amorosa oferece: a casa, a rotina, o cuidado, a sensação de ter para onde voltar. E, quando conseguem ser honestos consigo mesmos, percebem que podem não admirar a mulher com quem estão.
Talvez você não consiga dizer o que sente por ela, nem chamar isso pelo nome. Talvez apareça como irritação, cansaço, falta de vontade, excesso de críticas da parceira, uma distância que você não sabe de onde vem. Dentro de uma relação monógama, admitir para si mesmo que o amor romântico acabou, que não há atração ou que até existe repulsa parece algo difícil e odioso. Então a pergunta fica guardada. E aquilo que está fermentando dentro de você e não é olhado costuma encontrar um destino que não é muito ideal.
Este texto não tem a intenção de julgar você. A ideia é ajudar a separar coisas que aparentemente são iguais: gostar de alguém e gostar do que essa pessoa desperta em você.
Seja você casado ou namorando, com a esposa ou com a namorada, essa dúvida costuma aparecer de forma parecida. E, diferente das listas e testes que circulam no Instagram, este texto não traz uma resposta pronta, ele vai te chamar para pensar.
Amor, paixão ou atração? A forma mais perigosa
Para começar a separar essas coisas, vale lembrar que existem muitas formas de gostar de alguém. A gente admira o jeito como a pessoa pensa, se atrai pelo corpo dela, valoriza o companheirismo e o tempo juntos, compartilha valores, constrói uma vida. Nenhuma dessas formas é pura, e elas costumam se misturar.

Mas existe uma que, na sua forma pura, é mais perigosa: gostar de alguém porque essa pessoa faz você se perceber querido, valorizado e atraente. E apenas por isso.
Nesse caso, o vínculo não é com ela, é com o que ela provoca em você, ou então, com você mesmo. Ela vira uma fonte, e quase qualquer pessoa que oferecesse o mesmo cuidado ou o mesmo olhar poderia ocupar esse lugar. Por isso é tão difícil perceber: por dentro, a sensação se parece muito com amor endereçado à uma pessoa.
Aos poucos, a mulher pode virar um adereço na vida dele: está presente, compõe a casa, a rotina e a imagem do casal, mas não há um interesse real por ela. Nesses casos, o homem costuma viver uma idealização. Ele se relaciona com a ideia de uma relação, e não com a mulher que está ali. Uma pergunta honesta ajuda: qual é a importância real que ela tem para você, como pessoa, e não pelo que oferece?
A diferença costuma aparecer com o tempo, quando o homem se dá conta de que sabe muito sobre o próprio bem-estar ao lado dela e não dá muita atenção por quem ela é, ou então, até se incomoda com o jeito dela ser. O psicanalista Erich Fromm descreveu essa diferença como a passagem de um amor infantil, que nasce de receber, para um amor maduro, que nasce de oferecer.
"Preso" ao ambiente que ela cria
Uma das formas mais comuns desse vínculo aparece no apego ao ambiente. O psicanalista Winnicott chamava de ambiente aquilo que a mãe oferece ao bebê: sustentação, previsibilidade, calor. Muitos homens se vinculam a esse ambiente, e não à mulher que o oferece. É possível ficar preso ao bem-estar que alguém proporciona sem gostar de verdade dessa pessoa.

Há uma passagem na Odisseia em que Odisseu, já cansado de tantas tentativas de voltar para casa, naufraga e encontra a ninfa Calipso na praia. Ela o acolhe na ilha, cuida dele e oferece tudo: abrigo, abundância e até a imortalidade, se ele aceitar ficar. Ele fica por sete anos. Ainda assim, passa os dias sentado à beira-mar, olhando para o horizonte e chorando de saudade de casa. O nome Calipso vem do grego kalyptein, "cobrir, esconder". Tem algo de útero nessa ilha: tudo é oferecido e nada é escolhido.
Freud via a vida intrauterina como um estado de satisfação sem comparação. Ferenczi foi além e descreveu um desejo de retorno ao útero que acompanha o psiquismo ao longo da vida. Proponho, como leitura minha, que alguns homens buscam na parceira um útero que talvez não tenham tido. Só que manter um útero quentinho é, no fundo, estar em relação consigo mesmo, e não com outra pessoa. Há também a questão da inércia masculina, que é algo de um infantil não ultrapassado por ele. Winnicott descreveu o desenvolvimento da pessoa como uma passagem da dependência absoluta, em que o ambiente decide tudo pelo bebê, para uma independência relativa, em que a pessoa passa a sustentar as próprias escolhas. Quando essa passagem não acontece, o homem segue esperando que alguém de fora decida por ele, como a criança espera dos pais. Na relação, essa função costuma ir para a parceira ou para as circunstâncias, e a falta de movimento se disfarça de tranquilidade.
O psicanalista Christopher Bollas ajuda a entender por que isso vicia. Para ele, o primeiro objeto, a mãe, é vivido menos como pessoa e mais como uma experiência que transforma o estado do bebê. Na vida adulta, continuamos buscando quem prometa essa transformação e esse ambiente. O homem pode se ligar à experiência que ela proporciona, e não a ela.
Viciado no olhar dela
Às vezes, o que prende o homem não é o cuidado, e sim o jeito como ela o enxerga. A mulher passa a mediar uma imagem boa sobre ele: nos olhos dela, ele é gentil, responsável, um bom homem, um homem de poder, alguém que é desejado, etc. E ele se vicia nesse olhar. Começa a acreditar que é a presença dela que o torna esse homem, como se, sem ela, essa imagem fosse desaparecer.

Winnicott descreveu o rosto da mãe como o primeiro espelho: o bebê se vê naquilo que o olhar dela devolve. Quando esse espelhamento não foi suficiente, é comum procurar na vida adulta alguém que faça esse papel. A relação passa a ser menos com a mulher e mais com a imagem que ela reflete, e fica difícil conhecer profundamente quem ela é.
O que ele ainda não percebeu é que esse homem (do reflexo do espelho) pode ser ele próprio, se assim ele quiser. Não é preciso nenhuma mediação ou experiência virtual para se fazer o homem que quer ser. Tomar posse disso é parte de crescer: poder saber quem se é sem depender de um olhar externo para confirmar. Com essa posse, a escolha de ficar ou ir embora deixa de ser um medo de perder a si mesmo.
Sinais de que você está na relação por conforto, e não por amor
Quando o homem se apega mais ao ambiente ou o olhar do que a mulher, a insatisfação não fica quieta dentro dele. Ela costuma sair pelas beiradas quando o homem se dá conta que ela não é bem quem ele queria que fosse ou quando não está "operando sua função"; em outras palavras, quando ela está sendo ela mesma. Alguns sinais aparecem com frequência:
Irritação e agressividade passiva
Atrasos, esquecimentos, frieza, pequenas punições. Depois vem um sentimento duplo, de culpa e de satisfação. A culpa diz que ele deve ficar e reparar o que fez, e assim ele permanece numa situação que, no final, não faz sentido. Um ciclo que não termina, com brigas que voltam sem nunca ficar resolvidas.
Desconfiança sem motivo
Como é muito desconfortável encarar o próprio desinteresse, ele pode começar a atribuí-lo a ela: ela não se interessa mais por mim, está de olho em outro, deve estar me traindo. A desconfiança fala de algo que é dele, uma projeção. O ciúme, nesse caso, diz mais sobre ele do que sobre ela.
Paraísos artificiais
Casos, excessos, trabalho sem fim. Formas de buscar fora o que não se encontra dentro, sem precisar mexer na relação.
Intimidade ausente, mas ele fica
Pode não haver beijo, sexo ou vontade de proximidade, e ainda assim ele permanece, pelos bons momentos, por se perceber querido, por ter um porto seguro. Ele não se considera infeliz, mas, quando pensa nela, percebe que não consegue sentir nada. Goza do conforto e deixa a vida sexual em segundo plano.
O arranjo sem alma
Alguns homens resolvem pela razão: montam um acordo, uma estrutura que funciona, mas sem nada vivo dentro dela.
Ele precisa do olhar dela para se ver como um bom homem
Quando imagina a separação, junto com a perda da relação aparece o medo de perder a melhor versão de si mesmo.
Alguns autores da psicanálise ajudam a entender por que esses movimentos acontecem. Karen Horney, num ensaio de 1932 sobre o medo masculino da mulher, mostrou como a dependência em relação a ela pode virar desvalorização, como uma defesa inconsciente contra a própria fragilidade. Depender de alguém que não se admira tende a gerar hostilidade, e é dessa hostilidade que se alimenta a agressividade passiva. Ataco por que não te quero assim, ataco por que quero que você seja de outro jeito.
Philip Bromberg descreveu como a mente pode manter partes de nós separadas, os chamados estados de self dissociados. No homem, uma parte quer ir embora e outra precisa ficar, e as duas não conversam. É por isso que o mal-estar não ganha nome: a parte insatisfeita existe, mas fica fora do alcance da consciência, e aparece como negação, irritação ou desconfiança.
Winnicott, por sua vez, falava do falso self: uma forma de se adaptar ao ambiente cumprindo o que é esperado, enquanto o self verdadeiro fica protegido e ausente. É o que se vê no arranjo sem alma, na relação por conveniência. Ele cumpre o papel de parceiro, mas a parte mais viva dele não está na relação.
Ficar e odiar, fazer jogos, punir: é comum, mas não é a escolha mais inteligente. Esse mal-estar sem nome tende a crescer com os anos e criar um inferno particular para o casal.
Não é necessariamente narcisismo, é falta de repertório
Diante desses sinais, é comum que o homem seja chamado de narcisista. Há casos em que esse padrão aparece num homem que de fato é narcisista: ele fica porque a relação o abastece, e a outra pessoa importa pouco ou nada. Mas muitas vezes não é isso.

O que falta a muitos desses homens é vocabulário e repertório emocional para assumir as próprias sensações e emoções que os assustam. Assumir as próprias vontades e o próprio caminho. O psicólogo Ronald Levant chamou isso de alexitimia masculina normativa: muitos homens são educados para não ter palavras para as próprias emoções. As pesquisas dele associam essa dificuldade a menor satisfação no relacionamento e a medo de intimidade.
Isso parece acontecer com mais frequência entre homens. Em geral, as mulheres são incentivadas desde cedo a buscar vínculos emocionais e chegam às relações com expectativas afetivas mais claras. Muitos homens, ao contrário, aprendem a se vincular pela praticidade, e o arranjo confortável não os incomoda tanto, pelo menos no começo.
Sem palavras, o homem segue mais pela sensação do que por um saber sobre o que realmente quer e necessita. E aí aparece uma ingenuidade masculina: a crença de que é possível passar por cima dos próprios sentimentos e controlá-los. Não gostar de alguém dificilmente se negocia. Na maior parte das vezes, não conseguimos passar a gostar do que não gostamos.
Faz parte dessa ingenuidade achar que dá para ficar e, mesmo assim, dar o seu máximo. Sem admiração, o máximo não chega. Ele acha que pode controlar as próprias emoções e prefere não olhar. Muitos homens insatisfeitos depois de longos anos se comprometeram com uma sensação, um bem-estar, um útero, e não olharam por inteiro para quem estava do outro lado da aliança.
Em inglês, já existe até um nome para isso: quiet quitting no relacionamento. É quando a pessoa continua na relação, mas por dentro já pediu demissão, e vai deixando de investir aos poucos.
Fase ruim ou falta de admiração?
Se você se reconheceu em alguns desses sinais, talvez esteja se perguntando se não é só uma fase. Não existe uma régua geral para medir o amor, e em geral é o tempo que vai mostrando do que se tratam nossos sentimentos. Mas algumas pistas ajudam.

Toda relação longa atravessa fases de cansaço, distância e irritação. Uma crise costuma ter uma história: começou em algum momento, tem motivos, e em algum ponto ainda existe a vontade de reencontrar a outra pessoa. Quando algo muda, a vontade de se aproximar costuma voltar. A falta de admiração tende a ser mais silenciosa. Olhando para trás, o homem percebe que talvez ela nunca tenha estado ali, ou que ele sempre precisou fechar os olhos para alguma coisa.
Uma pergunta ajuda: o que me falta é a relação como ela era, ou o que me falta é ela?
Vale um cuidado. Para algumas pessoas, a dúvida sobre gostar ou não do parceiro vira um pensamento repetitivo, que não dá trégua e se alimenta de checagens constantes. Isso pode ser um quadro obsessivo, conhecido como TOC de relacionamento, e pede outro tipo de cuidado. Diferenciar uma coisa da outra raramente é possível sozinho, e esse é um dos motivos pelos quais a terapia ajuda.
Sinais de que você ama alguém de verdade
Se a falta de admiração tem seus sinais, o amor também tem os dele. Nenhum funciona como teste, mas juntos ajudam a enxergar um pouco mais do que se trata amar.
Interesse por quem ela é
Você tem curiosidade sobre o que ela pensa e vive, mesmo quando isso não tem a ver com você.
Admiração
Há coisas nela que você admira e que existiriam mesmo se ela não cuidasse de você.
Vontade de estar perto
A proximidade não é só conforto. Existe vontade de estar junto, de conversar, de dividir a vida.
As diferenças cabem na relação
O jeito dela de ser não tem que mudar para que você fique. As diferenças às vezes incomodam, mas não apagam o interesse.
Ela não é o seu espelho
Você sabe quem é sem depender do olhar dela para confirmar. A presença dela soma, mas não sustenta a imagem que você tem de si.
E se ela não fez nada de errado?
Muitos homens ficam presos justamente porque não encontram um motivo para ir embora. Ela é uma boa pessoa, cuida, está presente. Como deixar alguém que não errou?
Uma pessoa pode ser simplesmente ela mesma, sem erro nenhum, e ainda assim não despertar admiração em quem está ao lado. Não admirar não é uma sentença sobre o valor dela. Diz respeito ao encontro entre vocês dois.
Nesse cenário, talvez o gesto mais desrespeitoso seja permanecer: alimentar uma relação que serve mais a você do que a ela, ocupando um lugar na vida dela que você não sustenta por inteiro. Reconhecer isso também é uma forma de cuidado e de empatia com ela, e abre espaço para um entendimento honesto entre vocês.
Por que você escolheu assim
Se a escolha não partiu da admiração, vale perguntar de onde ela partiu. A psicanálise tem algumas respostas para isso, e nenhuma delas é uma acusação.

Freud percebeu algo que ainda se vê no consultório: em muitos homens, o afeto e o desejo seguem por caminhos separados. Num texto de 1912, ele descreveu homens em quem a ternura e a atração não se encontram: onde há ternura, falta atração, e onde há atração, falta ternura. A mulher que cuida passa a ocupar um lugar parecido com o da mãe. Com esse lugar vem a segurança, e vai embora a atração.
Dois anos depois, Freud descreveu a escolha "por apoio": escolhe-se "a mulher que alimenta", seguindo o modelo de quem cuidou de nós na infância. Jung, por outro caminho, falava da anima ainda fundida com a imagem materna. Enquanto isso acontece, o homem se relaciona com uma função, e não com uma mulher real.
Há também razões menos profundas, e nem por isso menos importantes. Para muitos meninos, ter uma namorada foi uma resposta prática à pressão dos amigos, num tempo em que todos contavam que já tinham beijado, transado, namorado. A relação resolvia um problema de pertencimento, e não nascia do interesse por aquela menina. Às vezes esse padrão segue na vida adulta, e o relacionamento por conveniência continua cumprindo uma função social.
Em outras palavras, muitas escolhas são feitas a partir de desinformação sobre o próprio interior, e não da admiração por alguém no presente. Entender isso não serve para se culpar. Serve para que a próxima escolha, seja ela qual for, venha de um lugar mental melhor.
Ficar ou ir embora? Sair do útero é nascer
Quando tudo isso fica claro, o homem se vê diante de um dilema. Um caminho é reconhecer a própria insatisfação, deixar a relação e, com isso, respeitar a mulher, liberando-a de um compromisso que ele não sustenta por inteiro. O outro é ficar, se beneficiar do ambiente e administrar a própria insatisfação.
O segundo parece mais confortável, e é compreensível que seja: há o medo de se arrepender, de se divorciar, de desfazer um casamento ou uma história de anos. Separar-se desse ambiente é como nascer: deixar o lugar onde tudo chegava pronto e passar a lidar com o que vem do mundo lá fora. É trocar a relação consigo mesmo por uma relação adulta, com outra pessoa de verdade, com limites e diferenças.
O que há de infantil nisso aparece sobretudo como inércia. O homem não escolhe: espera que a vida, a parceira ou as circunstâncias escolham por ele, como a criança que espera os pais resolverem. Ficar, nesse caso, nem sempre é uma escolha. Muitas vezes é apenas a ausência de uma.
Talvez muitos homens não tenham sido preparados para isso, e não por falha de caráter. Por isso a dúvida de um homem sobre a relação merece ser levada a sério. Ela condensa sentimentos complexos que falam dele mesmo, da história dele e daquilo de que ele busca. Pode causar uma reação difícil na parceira, mas quando a dupla tem força para levar esta dúvida em conta, vão estar mais protegidos em relação as escolhas e o futuro dos dois.
O que a terapia faz
A terapia não decide se você fica ou vai embora. O que ela oferece é um lugar onde você pode dizer o que se passa com você sem ser julgado, inclusive aquilo que parece inadmissível: "eu não a admiro", "não tenho atração por ela", "eu fico porque é confortável". Muitas vezes é a primeira vez que um homem ouve essas frases na própria voz.
A partir daí, ele começa a separar as coisas: o que é culpa, o que é amor, o que é medo de ficar sozinho, o que é saudade de um cuidado que talvez não tenha tido. Passa a reconhecer de onde vem a irritação que escapa, e por que desconfia dela. Aos poucos, vai construindo um vocabulário para o que antes era só mal-estar.
O processo também ajuda a reconhecer como suas as qualidades que ele atribuía à parceira, para que elas deixem de depender de quem as testemunha. E pede um olhar para a própria história: o que buscava nessa relação, e com quem aprendeu a buscar isso.
Encontrar-se, aqui, é conseguir escolher a partir do desejo autoral, e não da sensação. Seja qual for a decisão, ela passa a ser sua, e pode ser tomada com respeito por você e por ela.
Se este texto fez sentido para você, agende uma conversa. Atendo presencialmente em São Paulo e online para brasileiros no Brasil e no exterior.
Perguntas frequentes
Como saber se eu amo alguém de verdade? Uma pista é observar se o que você valoriza é a pessoa ou o que ela desperta em você. Quando o amor é pela pessoa, você consegue falar de quem ela é, do que admira nela, e não apenas do cuidado ou do olhar que recebe dela.
Amor ou carência: qual a diferença? Na carência, o outro ocupa o lugar de um vazio, e quase qualquer pessoa que oferecesse o mesmo poderia estar ali. No amor, existe interesse por aquela pessoa específica, com o que ela tem de diferente de você, inclusive.
Como saber se ainda amo minha parceira? Pergunte a si mesmo se o que falta é a relação como ela era ou se o que falta é ela. Crises têm história e motivo; a falta de admiração costuma ser mais antiga e silenciosa. Comparar com uma ex raramente ajuda: a pergunta é sobre quem está ao seu lado agora.
É normal ter dúvidas depois de anos de relacionamento? Sim. A dúvida não é um defeito e merece ser escutada. Quando ela vira um pensamento repetitivo e angustiante, vale procurar ajuda para entender se há algo além da relação envolvido.
Paixão ou amor: qual a diferença? A paixão costuma vir com idealização: a pessoa é vista pelo que promete. O amor aparece quando a idealização diminui e o interesse permanece, agora pela pessoa real.
Amor ou atração: como saber? A atração fala do corpo e do encontro, e pode existir sem interesse por quem a pessoa é. Quando ela vem acompanhada de admiração e de vontade de conhecer o outro, é mais provável que seja amor.
O que muda entre gostar de alguém e o amor? Gostar pode ser leve e pontual. O amor envolve compromisso com a pessoa inteira, inclusive com o que nela é diferente de você.
Referências
Bollas, C. (1987). A sombra do objeto. Inclui "O objeto transformacional" (1979).
Bromberg, P. M. (1998). Standing in the spaces: essays on clinical process, trauma and dissociation.
Ferenczi, S. (1924). Thalassa: ensaio sobre a teoria da genitalidade.
Freud, S. (1912). Sobre a mais geral degradação da vida amorosa.
Freud, S. (1914). Introdução ao narcisismo.
Fromm, E. (1956). A arte de amar.
Horney, K. (1932). O medo da mulher. Em Psicologia feminina.
Jung, C. G. Escritos sobre a anima e o complexo materno.
Karakis, E. N.; Levant, R. F. (2012). Is normative male alexithymia associated with relationship satisfaction, fear of intimacy and communication quality among men in relationships? Journal of Men's Studies, 20(3).
Winnicott, D. W. (1960). Distorção do ego em termos de falso e verdadeiro self. Em O ambiente e os processos de maturação (1965).
Winnicott, D. W. (1967). O papel de espelho da mãe e da família. Em O brincar e a realidade.




Comentários