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Por que dói dizer não?

Porque, para quem aprendeu a viver se adaptando, dizer “não” nunca foi apenas um limite, foi vivido como um risco relacional. Em muitas histórias ecoístas, negar algo significou provocar frustração, desagrado ou afastamento em pessoas importantes emocionalmente e até para a própria sobrevivência, e a própria experiência interna foi desdenhada ou colocada em segundo plano por aquele que não quis ouvir um não. Assim, o “não” passa a carregar um peso afetivo que vai além da situação presente.


Há também uma dor menos óbvia: dizer não obriga o sujeito a sustentar a própria existência separada do outro. Quando o vínculo foi garantido pelo silêncio, pela concessão ou pelo “sim” constante, o “não” rompe essa lógica e expõe um vazio momentâneo. Esse vazio dói porque antes era preenchido pela demanda alheia.


Além disso, o não confronta uma culpa antiga: a culpa de existir por si. Não se trata de falta de empatia, mas de um conflito psíquico entre cuidado e autoapagamento. Na clínica, essa dor não é algo a ser eliminado rapidamente, mas compreendida como sinal de que um limite começa a se formar onde antes só havia adaptação.

Se dizer não dói, significa que eu estou sendo egoísta?

Não. A dor ao dizer não não é sinal de egoísmo, mas de um novo limite que está sendo construído onde antes só havia adaptação. Para quem sempre cedeu, o “sim” automático funcionava como garantia de vínculo, e o “não” ativa culpa e medo de perder o lugar. 


Egoísmo implica indiferença ao outro; aqui, o sofrimento surge justamente porque o outro continua sendo considerado. A dor indica conflito psíquico, não falha moral.

Essa dor ao dizer não passa com o tempo?

Ela tende a se transformar. No início, a dor costuma ser intensa porque o limite ainda é frágil e vem acompanhado de angústia, culpa e necessidade de reparação. Com o tempo, à medida que o sujeito sustenta pequenas negativas e percebe que o mundo não desmorona, a dor perde intensidade e dá lugar a uma sensação mais clara de alinhamento interno. Este alinhamento interno é sentido de diferentes maneiras em diferentes pessoas: potência, verdade, autoestima, assertividade...


Não é que dizer não deixe de ter peso, mas deixa de ser vivido como ameaça ao vínculo ou à própria existência.

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Meu nome é Bruna

Sou Bruna Lima, psicóloga clínica, com atuação em psicoterapia psicanalítica para adultos. Atendo pessoas que sentem angústia persistente, repetições emocionais, vazio ou sofrimento difuso que não se resolve apenas com técnicas de controle de sintomas.

Meu trabalho é orientado pela psicanálise (Bion, Klein, Ferenczi, Bollas) e por uma escuta clínica cuidadosa, que ajuda a dar forma psíquica ao que ainda não tem nome, diferenciando ansiedade comum de conflitos emocionais mais profundos.

Atendo na Av. Paulista  com possibilidade de atendimento presencial e online, oferecendo um espaço ético, seguro e contínuo para quem busca compreensão, elaboração emocional e transformação psíquica.

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January 5, 2026 at 2:39:29 PM

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