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Poder e potência: todos desejam o que já é inerente

Muitas pessoas buscam poder não para dominar, mas para agir no mundo: decidir, transformar, construir algo próprio sem se anular no processo. O desejo de poder costuma surgir quando a potência existe, mas encontra bloqueios internos que impedem o movimento.


O problema é que o poder costuma ser confundido com controle, frieza e divisão. Quando isso acontece, agir passa a exigir endurecimento emocional ou ruptura de vínculos. A proposta aqui é outra: pensar o poder como capacidade psíquica de sustentar desejo, limite e perda, sem precisar se tornar rígido ou se afastar de si para existir no mundo.

O que hoje se chama de poder

Hoje, poder costuma ser associado a controle, autonomia absoluta ou capacidade de não depender de ninguém. Em outras versões, aparece como status, autoridade ou frieza emocional: quanto menos se afeta, mais poderoso se é. Assim dizia um verso de de Arctic Monkeys : "not to suffer the indignity of a reaction" .


Mesmo quando o poder é pensado como potência para agir, transformar e construir, ele ainda costuma ser tratado de forma voluntarista: atitude correta, mentalidade forte, confiança inabalável. Pouco se fala do conflito interno que atravessa todo movimento real de crescimento.


Nesse modelo, o poder vira uma exigência: seja potente, seguro, decidido. O resultado frequente não é mais ação, mas culpa e sensação de insuficiência quando o sujeito percebe que agir implica medo, ambivalência e risco.


Poder como potência de ação (e não como domínio)


Há uma diferença fundamental entre poder como domínio e poder como potência de agir no mundo. A potência não elimina a dúvida nem a fragilidade; ela as atravessa. Agir de forma potente não é agir sem conflito, mas agir apesar dele.


Transformar, construir e sustentar escolhas exige tolerar perda: perder garantias, imagens ideais, expectativas do outro. Aqui, o poder deixa de ser endurecimento e passa a ser capacidade de permanecer em movimento sem se anular.


Nesse sentido, poder não é se blindar, é não precisar se defender o tempo todo para agir.

Potência real exige aguentar perder

Slavoj Žižek aponta algo decisivo: não há potência verdadeira sem atravessar a própria impotência. Toda ação que realmente muda algo implica abrir mão de seguranças, suportar o vazio e aceitar que não há garantia de reconhecimento ou sucesso.


O que paralisa muitas pessoas não é falta de capacidade, mas a recusa inconsciente da perda que o poder implica. Crescer, se autorizar, ocupar espaço: tudo isso ameaça vínculos, identidades antigas e fantasias de pertencimento.


Por isso, a busca por poder muitas vezes se transforma em busca por controle. Controlar evita a perda. Mas também impede a ação viva, e a própria vida vai ficando cada vez mais normalizada... e chata.

O que bloqueia a potência

Os principais bloqueios ao poder não são externos. Eles costumam operar como conflitos internos:


  • culpa por crescer, se destacar ou ir além do esperado

  • medo de perder amor, aprovação ou lugar ao agir

  • conflitos com figuras de autoridade internalizadas

  • fantasias de punição por desejar mais

  • possuir o belo e ter medo de perdê-lo

  • paranóia por conta de atitudes agressivas


Quando esses conflitos não são elaborados, a potência existe, mas não se realiza. O sujeito se sente capaz, mas travado. Ou age, mas se esvazia depois.

O que muda numa análise

Na análise, o poder deixa de ser buscado como controle ou endurecimento. O trabalho incide justamente sobre os pontos em que a potência fica bloqueada: culpa por desejar, medo de perder vínculos, fantasias de punição ao ocupar espaço.


Ao longo do processo, o sujeito pode reconhecer onde abriu mão da própria ação para preservar o outro, e onde passou a se controlar para evitar perdas. Esses movimentos, quando compreendidos e vividos na relação analítica, perdem sua força paralisante.


O resultado não é alguém mais dominante ou impositivo, mas alguém mais autorizado a agir. A ação deixa de exigir anulação ou rigidez. A potência aparece quando o sujeito pode sustentar desejo, limite e perda sem precisar se defender disso. Esse é um poder silencioso, não exibido, profundamente transformador.

Para quem esse processo faz sentido

Este processo costuma fazer sentido para pessoas que:


  • sentem que têm capacidade, mas travam na hora de agir

  • se controlam demais para evitar conflitos, perdas ou julgamentos

  • confundem poder com dureza, frieza ou imposição

  • têm medo de crescer, se destacar ou ocupar mais espaço

  • percebem que agir com verdade ameaça vínculos importantes

  • querem construir e transformar sem se anular no processo


Nesses casos, o trabalho não é aprender a “ter mais poder”, mas destravar a potência que já existe, permitindo que ela se realize sem exigir endurecimento ou perda de si.

Olá

Meu nome é Bruna

Sou Bruna Lima, psicóloga clínica, com atuação em psicoterapia psicanalítica para adultos. Atendo pessoas que sentem angústia persistente, repetições emocionais, vazio ou sofrimento difuso que não se resolve apenas com técnicas de controle de sintomas.

Meu trabalho é orientado pela psicanálise (Bion, Klein, Ferenczi, Bollas) e por uma escuta clínica cuidadosa, que ajuda a dar forma psíquica ao que ainda não tem nome, diferenciando ansiedade comum de conflitos emocionais mais profundos.

Atendo na Av. Paulista  com possibilidade de atendimento presencial e online, oferecendo um espaço ético, seguro e contínuo para quem busca compreensão, elaboração emocional e transformação psíquica.

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psicologa-bruna-lima.JPG

7 de janeiro de 2026 às 11:14:45

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