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O trauma e os diferentes tipos de apego

Como cada vínculo inicial molda a forma de sentir medo, confiança e proximidade na vida adulta


O jeito como cada pessoa vive e reage a uma experiência traumática não é igual para todos. Ele depende, em grande parte, de algo que foi se formando muito cedo: o estilo de apego, o modelo interno de como esperamos ser tratados por quem amamos.


Quando um vínculo importante machuca, negligencia ou confunde, esse acontecimento se organiza dentro do estilo de apego que já existia, aprofundando o que ele tinha de mais frágil. Um evento traumatico relacionado ao estilo de apego acaba sendo definido como um trauma relacional.: uma ferida que nasce na relação e que continua atuando na forma de confiar, se aproximar e se proteger.


Enquanto algumas abordagens focam em reduzir sintomas, a psicoterapia psicanalítica se dedica a compreender como essas marcas se formaram no vínculo e por que se repetem. Entender o seu estilo de apego é um caminho para reconhecer o que dói, o que se repete e o que pode ser transformado.

Como o trauma se organiza em cada estilo de apego

O apego, segundo Bowlby, é o vínculo emocional que se forma na infância entre a criança e seus cuidadores, e ele deixa um modelo interno de como esperamos que as relações funcionem. Diante de uma experiência traumática, cada estilo de apego reage de um jeito, porque cada um aprendeu algo diferente sobre o que significa precisar do outro.


Apego seguro


Quem desenvolveu um apego seguro cresceu com cuidado disponível e previsível, aprendendo que podia confiar e pedir ajuda.


Diante de um evento traumático, essa pessoa tende a buscar apoio, falar sobre o que sente e se apoiar nos vínculos para atravessar a dor. Isso não a torna imune ao trauma, mas oferece um recurso importante: a capacidade de não enfrentar tudo sozinha. 


Quando o trauma é intenso ou vem justamente de uma relação de confiança, mesmo o apego seguro pode ser abalado, gerando insegurança onde antes havia estabilidade.


Apego ansioso


Quem desenvolveu um apego ansioso conviveu com cuidado imprevisível: às vezes presente, às vezes ausente. Aprendeu que o afeto do outro é incerto e precisa ser conquistado ou vigiado o tempo todo.


Diante do trauma, a experiência costuma reforçar o medo de abandono. A pessoa pode ficar hipervigilante nas relações, buscar reasseguramento constante, sentir angústia intensa diante de qualquer sinal de distância. 


A ferida traumática se soma a uma pergunta antiga: serei deixado? E cada nova experiência dolorosa parece confirmar esse temor.


Apego evitativo


Quem desenvolveu um apego evitativo aprendeu cedo que suas necessidades emocionais não seriam atendidas, e passou a se proteger não precisando de ninguém. A autossuficiência virou defesa.


Diante do trauma, a tendência é minimizar, se desligar e lidar sozinho. Por fora, pode parecer que a pessoa "está bem" ou "superou". Por dentro, o sofrimento fica isolado, sem espaço para ser compartilhado. 


Essa desconexão dificulta pedir ajuda e pode fazer com que a dor apareça de formas indiretas: no corpo, no vazio, na sensação de distância dos próprios sentimentos.


Apego desorganizado


O apego desorganizado se forma quando a mesma figura que deveria proteger é também fonte de medo, como em contextos de abuso ou grande imprevisibilidade. A criança fica presa num impasse: precisa de proximidade e teme essa mesma proximidade.


Diante do trauma, esse é o estilo mais vulnerável. A pessoa oscila entre buscar e recusar o vínculo, entre desejar e temer a intimidade. 


É o terreno em que a dissociação (aquela sensação de desligamento, de estar fora da própria experiência) aparece com mais força. As relações se tornam campo de repetição de uma confusão profunda entre amor e ameaça.


O trauma de rejeição e os estilos de apego


Um fio atravessa vários desses estilos: a experiência de não ter sido acolhido quando se precisou. Quando essa vivência é intensa e repetida, ela pode se organizar como um trauma de rejeição, a marca profunda de ter aprendido que não se é digno de cuidado ou pertencimento.


Nos estilos ansioso e desorganizado, a rejeição costuma ser revivida como pânico de abandono. No evitativo, ela vira uma proteção antecipada: rejeito antes de ser rejeitado. Compreender essa raiz ajuda a entender por que certas dores se repetem, mesmo quando a vida presente já não as justifica.

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Psicoterapia para feridas de apego

Qual é o meu estilo de apego?

Trauma de apego pode ser reparado na vida adulta?

Qual a diferença entre trauma relacional e trauma de apego?

Como sei se meu estilo de apego vem de um trauma?

Olá

Meu nome é Bruna

Sou Bruna Lima, psicóloga clínica (CRP 13/0409) e psicoterapeuta psicanalítica, com prática voltada para adultos em sofrimento emocional, especialmente em temas como trauma relacional, vínculos, autoestima e repetição de padrões afetivos.


Minha formação e supervisão são baseadas na tradição psicanalítica contemporânea, com influência de autores como Bion e Ferenczi. Participo regularmente de cursos e grupos de estudo vinculados a instituições reconhecidas, como a Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP) e a Instituto Sedes Sapientiae.


Atendo online para todo o Brasil e presencialmente em São Paulo, na região da Avenida Paulista, em consultório voltado para escuta profunda, privacidade e cuidado individualizado.

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July 8, 2026 at 4:49:38 PM
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