ANSIEDADE é um termo-guarda-chuva: o mesmo nome encobre sofrimentos muito diferentes
- 20 de set. de 2025
- 14 min de leitura
Atualizado: 17 de dez. de 2025
A ansiedade é frequentemente descrita como um estado emocional universal, muitas vezes associado a um mal-estar agudo e difuso. No entanto, eu penso que esse termo é amplamente utilizado para nomear uma variedade de desconfortos emocionais que podem ter causas e formas muito distintas.
Cada pessoa vivencia sua ansiedade de uma maneira única, dependendo das suas experiências de vida, da sua estrutura psíquica e até mesmo da forma como ela percebe as situações ao seu redor.
Em vez de tratá-la como um fenômeno único, podemos entender a ansiedade de uma maneira mais personalizada, identificando os fatores que realmente estão por trás desse sofrimento, seja ele físico, emocional ou existencial.

No Brasil, a situação é ainda mais acentuada. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), somos um dos países com maior índice de ansiedade do mundo. Isso não é apenas um dado estatístico: é uma realidade cotidiana, que aparece nas buscas do Google por sintomas, nos consultórios médicos e psicológicos, nas conversas sobre remédios e nos diagnósticos que se multiplicam.
Mas este guia não pretende ser apenas mais uma lista de sintomas ou recomendações superficiais. A proposta é oferecer uma visão integrada da ansiedade: do corpo ao inconsciente, dos efeitos imediatos às raízes profundas.
Para isso, reuni informações dos meus 10 anos de clínica, sobre sintomas físicos e emocionais, uma análise crítica do uso de remédios ansiolíticos, e sobretudo, uma reflexão sobre como a psicanálise pode ajudar a transformar esse modo de vida ansioso em algo mais suportável, mais humano e, quem sabe, mais livre.
A ansiedade do overachiever: quando a exigência interna nunca descansa

Overachiever ou a pessoa que é muito guiada por um desempenho excelente ou um "sobredesempenho". É o tipo de pessoa que costuma explicar sua ansiedade de formas como: “eu me cobro demais”, “tenho muita responsabilidade”, “não posso falhar”.
A responsabilização pelo mal estar é sempre externa e funcional — trabalho, metas, desempenho, pressão. À primeira vista, parece uma ansiedade causada pelo excesso de tarefas. Mas isso é apenas a superfície.
O overachiever vive sob o poder um superego rígido, como dizem na psicanálise, e que mais tarde transforma a idéia de desempenho em valor pessoal. A melhor performance vira a prova de que se está vivo, de que se é digno, de que realmente importa, de que se é gente.
Não se trata apenas de querer fazer bem feito, mas de sustentar uma imagem interna de competência constante. O descanso é vivido com culpa, o erro como ameaça e a pausa como risco.
Então simbolicamente, falhar equivale a perder lugar, reconhecimento ou amor.
Nesse tipo de ansiedade, o desconforto pode vir do excesso de trabalho em si sim, mas muito mais da impossibilidade de se autorizar a não render. A angústia aparece quando o "ideal do que eu tenho que ser" se torna inalcançável e o sujeito precisa funcionar sem margem de falha. A ansiedade, então, não é um traço de personalidade, mas o efeito psíquico de uma exigência interna que não consegue parar.
A ansiedade do obediente: quando viver no automático vira sofrimento

Aqui, a pessoa obediente costuma explicar sua ansiedade dizendo que a vida é pesada, que tem muitas obrigações ou que precisa “aguentar”. Não se vê como alguém pressionado internamente, mas como alguém que responde às demandas externas: família, trabalho, expectativas alheias.
A ansiedade aparece como cansaço, aperto no peito, irritação difusa ou uma sensação constante de sobrecarga.
O núcleo desse funcionamento é a submissão. O sujeito aprendeu, cedo ou ao longo da vida, que manter vínculos exige adaptação e renúncia. Desejar, discordar ou romper parece perigoso. Por isso, vive em conformidade, evitando conflitos e engolindo tensões que não encontram saída simbólica.
A ansiedade surge justamente quando um desejo próprio tenta emergir ou quando as demandas externas já estão insuportáveis. Decisões, mudanças ou qualquer situação que exija posicionamento ativam angústia, porque implicam o risco de perda de aprovação.
Não propriamente as demandas de fora que adoecem, mas a ausência de escolha real e autoral. O sofrimento vem da dificuldade de se enxergar alguém que pode ter os próprios desejos, inclusive o de não ser obediente.
A ansiedade do trauma: quando o corpo reage antes da consciência

Nesse tipo, a pessoa costuma dizer que a ansiedade “vem do nada”. Relata palpitação, falta de ar, tontura, aperto no peito ou crises noturnas sem causa aparente. Muitas vezes já passou por exames médicos, ouviu que “não é nada” e concluiu que o problema é o próprio corpo ou alguma desregulação química. A ansiedade é vivida como algo invasivo, imprevisível e fora de controle.
O que está em jogo aqui não é um excesso de preocupação consciente, mas a ativação de memórias emocionais indigestas. Experiências de ameaça, abandono, invasão ou desamparo, em casos mais extremos, ficaram registradas no corpo antes de se tornarem narrativas psíquicas, ou seja, idéias compartilháveis.
Quando algo no presente se aproxima dessa memória, o organismo reage como se o perigo estivesse acontecendo novamente.
A ansiedade, neste caso, não é antecipação do futuro, mas retorno do passado por vias de lembrança direta ou indireta. Esse tipo de ansiedade exige escuta clínica cuidadosa, que vá além do controle de sintomas e permita que aquilo que foi vivido sem palavras encontre um caminho para ser conversado e assim, não perturbe mais.
A ansiedade do popular: quando o medo de ser visto como se é gera sofrimento

Neste tipo, a ansiedade é disfarçada de muitas formas. O popular costuma sentir que seu desconforto vem das expectativas alheias, do medo de desagradar ou do risco de ser mal interpretado. A própria imagem e a manutenção dela é geradora de ansiedade
Apresenta a ansiedade sob a máscara de autenticidade e singularidade, mas, no fundo, o medo é o de ser realmente visto.
O popular pode tender a se moldar para agradar os outros, com medo de que suas necessidades pessoais sejam vistas como egoísmo ou fraqueza. Ou então se resguarda em uma imagem de “único” para não ser parte da massa, temendo perder sua “identidade especial” e se tornar apenas mais um.
Em ambos os casos há profundo medo de não ser aceito como realmente se é, de não conseguir sustentar as máscara que impõem a si mesmo.
Para o popular, a ansiedade surge nas interações sociais ou quando precisa se afirmar, dizer “não” ou desagradar alguém. Ou então a ansiedade vem na forma de uma constante sensação de vigilância interna, a necessidade de se afirmar como diferente ou superior, com medo de ser confundido com os outros.
No fundo há uma dificuldade em se posicionar de forma autêntica, e isso não é uma crítica ou julgamento. Este é um tipo de "existir" que pode machucar, pois o medo de rejeição e a insegurança existencial mantém preso a um ciclo de adaptação ou diferenciação, onde não há espaço para a verdadeira expressão do eu.
A ansiedade é um reflexo da dificuldade de existir sem depender da aprovação do outro ou de um ideal interno de perfeição.
A ansiedade do controlador: quando a frustração vira ameaça interna

As pessoas controladoras costumam explicar sua ansiedade apontando para fora: “as coisas fogem do controle”, “as pessoas são incompetentes”, “ninguém faz direito”, “tudo atrasa”.
A sensação predominante não é apenas medo, mas irritação constante, urgência e intolerância ao imprevisto. A ansiedade aparece misturada à raiva, ao cansaço e à necessidade de resolver tudo imediatamente.
O núcleo desse funcionamento é a dificuldade de lidar com limites e frustrações. O controle não é traço de personalidade, mas defesa psíquica contra um sentimento interno de vazio, fragilidade ou insegurança.
Manter tudo organizado, previsível e sob comando funciona como forma de evitar contato com a dependência, a espera e a falta — experiências vividas como perigosas.
Quando a realidade não obedece, o eu perde sustentação. A frustração, que poderia ser elaborada, retorna como tensão, irritabilidade e sensação de colapso iminente. A ansiedade, aqui, não é antecipação do futuro, mas reação à quebra da fantasia de onipotência, como diria Freud. Mais simples: quando eu sinto que não sou quem eu quero ou tenho que ser, isso significa que tudo está perdido e eu não sirvo mais.
O excesso de responsabilidade é o sintoma, mas na impossibilidade de aceitar que a vida inclui falhas, atrasos e alteridade diz da ansiedade do controlador. A ansiedade surge exatamente onde o controle deixa de funcionar como proteção.
A ansiedade do hiper racional: quando pensar vira forma de defesa

A pessoa que se apoia firmemente na racionalidade tenta explicar sua ansiedade dizendo que “pensa demais”, que a mente não para ou que precisa entender tudo antes de agir. O sofrimento é mental, do tipo que é falado atualmente em questões como o TDHA. A ansiedade aparece como excesso de análise, antecipação constante e dificuldade de se entregar à experiência: há sempre de se ficar de longe narrando a ideia e não a vivendo.
O pensamento, aqui, não é apenas um recurso cognitivo, mas uma defesa psíquica. Racionalizar funciona como tentativa de conter o afeto, organizar o caos interno e evitar contato com sentimentos mais primitivos, como medo, dependência ou desamparo.
Pensar substitui sentir. Enquanto a mente trabalha, o afeto fica suspenso.
A ansiedade surge justamente quando o pensamento falha em cumprir essa função de isolamento. Decisões simples se tornam paralisantes, porque exigem um salto que não pode ser totalmente calculado (por que precisam também de dados que vem da experiencia e emoção).
O sujeito sofre não por falta de compreensão, mas pela impossibilidade de aceitar que nem tudo pode ser pensado antes de ser vivido. O pensamento sozinho não dá conta de tudo.
Nesse funcionamento, o trabalho clínico não passa por “acalmar a mente”, mas por permitir que o afeto encontre lugar sem precisar ser imediatamente explicado. A ansiedade diminui quando o sujeito pode tolerar não saber e, sobretudo, sentir.
A ansiedade da sensibilidade: quando tudo atravessa

Nesse tipo de funcionamento, a pessoa costuma se definir como “muito sensível”, empática ou facilmente afetada pelo ambiente. A ansiedade é explicada como resultado de absorver demais o que vem de fora: emoções alheias, tensões do espaço, demandas implícitas. O sofrimento é vivido como excesso, cansaço emocional e sensação constante de invasão.
O sentir demais não é necessariamente algo ruim, mas a fragilidade dos limites emocionais pode fazer com que as experiências sejam muito impactantes. O dentro e o fora se confundem. Afetos que pertencem ao outro são experimentados como próprios, e o eu tem dificuldade de filtrar, hierarquizar ou devolver aquilo que não lhe cabe.
A ansiedade surge quando esse excesso não encontra elaboração simbólica, ou seja, se cria um amontoado de sensação, emoção e pensamento inexplicável até para si mesmo.
Muitas vezes, essa sensibilidade pode ter se formado como adaptação precoce: perceber o ambiente era uma forma de se proteger, para isso foi construída uma boa "antena" mental. O problema aparece quando essa defesa é muito ativa, podendo produzir hipervigilância afetiva e esgotamento.
O corpo entra em alerta porque tudo parece relevante, urgente ou ameaçador.
Nesse tipo de ansiedade, o trabalho clínico passa pela construção de limites internos (emocionais e mentais), não pelo endurecimento emocional. Trata-se de ajudar o paciente a diferenciar o que é seu do que é do outro, permitindo que a sensibilidade deixe de ser fonte de sofrimento e possa se tornar recurso.
A ansiedade do vazio: quando a agitação encobre a falta de sentido

O vazio (sentimento) costuma gerar ansiedade e também angústia. A pessoa que sente o vazio tem dificuldade de explicar por que se sente ansiosa a não ser justificar que tudo parece não ter sentido.
Não há um gatilho claro, nem excesso de tarefas, nem sintomas intensos que justifiquem o mal-estar. O relato costuma misturar inquietação, tédio, desânimo e uma sensação incômoda de “não saber o que fazer consigo”. A ansiedade aparece como um fundo permanente, silencioso, difícil de localizar.
Internamente há uma falta investimento, direção ou desejo suficientemente organizador. Quando não há algo que puxe o sujeito para fora deste vazio, emerge a angústia de não saber quem se é ou para onde se vai. Nesse caso a ansiedade funciona como defesa contra a depressão: a ansiedade agita para sair do vazio.
Diferente de outros tipos, aqui não há hiper exigência nem medo de falhar (em um primeiro momento). Há uma tentativa de preencher, ocupar, distrair ou acelerar para não tocar na sensação de falta. A inquietação protege o sujeito do silêncio interno.
Nesse tipo de ansiedade, o trabalho clínico não é eliminar o vazio, mas torná-lo suportável. Quando o sujeito pode sustentar a falta sem precisar encobri-la com agitação, abre-se espaço para que o desejo emerja — não como obrigação ou defesa, mas como possibilidade.
Ansiedade como motor da vida

Nem toda ansiedade é patológica. Desde Freud, sabe-se que a ansiedade tem uma função vital: ela atua como sinal de perigo, preparando corpo e mente para reagir a uma possível ameaça. Nesse sentido, é um motor da vida. Aceleração cardíaca, atenção mais aguda e músculos em prontidão podem significar simplesmente que o organismo está se preparando para enfrentar uma situação. É o que chamamos de ansiedade vital, necessária para nossa sobrevivência.
O problema começa quando esse estado, que deveria ser momentâneo, se torna permanente. A ansiedade deixa de ser um alerta e passa a ocupar a vida como pano de fundo. A pessoa não descansa, não encontra alívio; o corpo permanece em estado de alarme constante, como se algo ruim estivesse sempre prestes a acontecer. Aqui entramos no campo da ansiedade patológica, que não só desgasta fisicamente, mas molda um modo de ser: viver como um “ser com desconforto”, alguém para quem a tensão é a regra e não a exceção.
No fundo, o sentimento nuclear da ansiedade é a constante impressão de que “algo está errado” ou “nunca é suficiente”. Essa sensação cria uma posição peculiar: o ansioso se torna quase um concierge do próprio mundo, monitorando cada detalhe, antecipando cenários, tentando garantir que nada falhe. Mas, em vez de gerar tranquilidade, esse esforço só aumenta a exaustão e a vigilância interna.
Sob o olhar psicanalítico, essa diferença é fundamental. A ansiedade saudável indica movimento e vida; a ansiedade patológica denuncia um conflito interno mais profundo. Muitas vezes, ela expressa medos inconscientes, traumas ou fantasias que não encontram palavras. Nesse ponto, a psicanálise não reduz a ansiedade a um inimigo a ser eliminado, mas a entende como mensagem do inconsciente, um sinal de que há algo que precisa ser escutado.
Sintomas físicos e emocionais da ansiedade
A ansiedade se manifesta de forma ampla, atravessando corpo e mente. Muitas pessoas chegam a procurar pronto-socorro achando estar diante de um problema cardíaco, quando na verdade estão vivenciando uma crise ansiosa. Essa confusão é compreensível: o corpo fala alto e parece dar sinais de perigo iminente.
Sintomas físicos da ansiedade
Sintoma | Como se manifesta |
Palpitação | Coração acelerado, batendo forte, muitas vezes sem esforço físico. |
Falta de ar | Sensação de sufoco, respiração curta e ofegante. |
Tensão muscular | Ombros e pescoço rígidos, dores musculares persistentes. |
Insônia | Dificuldade para adormecer ou sono leve, interrompido. |
Dor no peito | Aperto ou pressão, confundido com infarto. |
Tremores e suor | Mãos frias, corpo trêmulo, suor excessivo. |
Alterações digestivas | Dor de estômago, náusea, diarreia ou constipação. |
Sintomas emocionais da ansiedade
Sintoma | Como se manifesta |
Medo sem causa | Sensação difusa de ameaça, mesmo sem motivo claro. |
Irritabilidade | Reações explosivas ou impaciência frequente. |
Pensamento acelerado | Mente “correndo”, difícil de desacelerar. |
Dificuldade de concentração | Perda de foco, esquecimentos, atenção fragmentada. |
Sensação de que “algo está errado” | Pressentimento constante de falha ou perigo. |
📌 Vivência subjetiva: mais do que uma soma de sintomas, a experiência ansiosa é a de viver em estado de alerta permanente. O corpo reage como se estivesse em uma situação de risco, e a mente corre tentando acompanhar esse ritmo — como se houvesse sempre algo por resolver, mas nunca fosse suficiente.
Sob o olhar psicanalítico, esses sintomas não são apenas sinais clínicos: são mensagens do inconsciente, expressões de conflitos internos que encontram no corpo e na mente uma forma de aparecer.
Ansiedade e os remédios ansiolíticos
Um dos temas mais buscados no Google é “remédio para ansiedade”. Isso reflete a urgência em encontrar alívio rápido e a promessa de que existe uma solução imediata para esse mal-estar. E, de fato, os ansiolíticos podem oferecer um respiro. Mas é fundamental compreender o que eles fazem — e o que não fazem.
Principais ansiolíticos prescritos no Brasil
(uso apenas informativo; sempre devem ser prescritos por médico psiquiatra)
Diazepam (Valium)
Lorazepam (Lorax)
Alprazolam (Frontal)
Clonazepam (Rivotril)
Bromazepam (Lexotan)
Essas medicações atuam no sistema nervoso central, reduzindo a atividade cerebral e proporcionando efeitos como relaxamento, diminuição da tensão e melhora temporária do sono.
Limites e riscos
Alívio rápido, mas paliativo: reduzem sintomas, mas não tratam a causa.
Dependência e tolerância: com o tempo, o organismo precisa de doses maiores.
Efeito rebote: ao suspender, sintomas podem voltar com mais intensidade.
Por isso, os ansiolíticos podem ser vistos como um “atalho”: oferecem um vislumbre de como é viver em um estado interno mais calmo. Esse vislumbre é valioso, porque mostra que outra forma de vida é possível. Mas sozinho, o remédio não ensina como chegar lá.
Comparando tratamentos da ansiedade
Abordagem | Foco | Vantagens | Limitações |
Ansiolíticos | Redução imediata dos sintomas | Alívio rápido, útil em crises agudas | Dependência, efeito rebote, não trata a raiz |
Terapias breves / TCC | Sintomas e enfrentamento | Estratégias práticas, melhora funcional rápida | Menor alcance em questões inconscientes e de longo prazo |
Psicanálise | Raízes inconscientes, traumas, fantasias | Transformação profunda e duradoura | Processo mais longo, exige implicação subjetiva |
📌 Olhar psicanalítico: a ansiedade não é apenas um desequilíbrio químico, mas também a expressão de histórias, traumas e conflitos inconscientes. O tratamento psicanalítico não oferece alívio imediato, mas busca transformar o modo de existir, permitindo que a ansiedade deixe de ser o pano de fundo da vida.
Descobrir outras formas de viver
A ansiedade pode parecer um destino inevitável, uma marca que acompanha a vida sem chance de transformação. Mas, sob o olhar psicanalítico, ela é antes de tudo um funcionamento psíquico — e todo funcionamento pode ser transformado. Não se trata de eliminar completamente a ansiedade (até porque uma dose dela é vital), mas de aprender a viver de outros modos, sem que o desconforto dite cada escolha e cada pensamento.
A experiência clínica mostra que é possível acalmar-se por dentro, mesmo quando o mundo segue acelerado. A psicanálise cria um espaço em que a pessoa pode se escutar, nomear seus medos e reconhecer desejos autênticos, em vez de viver apenas reagindo às pressões externas. Nessa escuta, muitas vezes surgem novas formas de estar no mundo: menos vigilantes, menos regidas pela sensação de que “algo está errado” ou “nunca é suficiente”.
Essa transformação não acontece de um dia para o outro, mas no movimento contínuo de um processo de análise. Cada sessão é como uma chance de redesenhar o projeto de vida, não a partir de expectativas impostas, mas daquilo que realmente pulsa como vontade verdadeira. É nesse ponto que a ansiedade pode deixar de ser prisão e passar a ser sinal: não de perigo, mas de que há algo novo a ser criado.
💡 Importante: a ansiedade não é uma sentença definitiva. Ela pode ser compreendida, transformada e até mesmo tornar-se um ponto de partida para uma vida mais livre, criativa e conectada com o próprio desejo.
👉 Convite: se você sente que a ansiedade tem limitado sua vida, a psicanálise pode ser um espaço de descoberta e transformação. Agende uma consulta online ou presencial e comece a trilhar um caminho de novas possibilidades.
Conclusão
A ansiedade é uma experiência universal, mas em nosso tempo ela ganhou uma intensidade inédita. O corpo em alerta e a mente em corrida revelam tanto o impacto de uma sociedade hiperprodutiva quanto os conflitos inconscientes que cada um carrega.
Os ansiolíticos podem oferecer um alívio imediato, e as terapias breves podem ensinar estratégias de enfrentamento. Mas se o que se busca é uma transformação duradoura, a psicanálise se apresenta como um caminho singular: um espaço de escuta profunda, em que a ansiedade deixa de ser apenas sintoma e passa a ser compreendida como expressão de algo que merece ser ouvido.
👉 A boa notícia é que não se trata de um destino fixo. A ansiedade pode ser ressignificada. É possível descobrir modos de viver menos aprisionados pela sensação de que “nunca é suficiente” e mais conectados com o próprio desejo.
Se você sente que a ansiedade tem limitado sua vida, este é o convite: entre em contato e agende uma consulta. O primeiro passo para transformar a ansiedade em possibilidade é começar a se escutar.
FAQ sobre Ansiedade
Ansiedade tem cura?
A ansiedade não é algo que se “cura” definitivamente, mas pode ser tratada e transformada. Há pessoas que conseguem viver com níveis muito menores de ansiedade depois de iniciar acompanhamento psicológico ou psiquiátrico. O objetivo é aprender outros modos de existir, sem que o desconforto seja permanente.
Qual o melhor tratamento para ansiedade?
Não existe um único tratamento que sirva para todos. Os ansiolíticos podem trazer alívio rápido, mas não tratam a causa. A TCC oferece técnicas práticas para lidar com sintomas. Já a psicanálise busca compreender a raiz da ansiedade, transformando o modo como a pessoa se relaciona consigo e com o mundo.
Psicólogo pode tratar ansiedade?
Sim. Psicólogos estão habilitados a tratar ansiedade em diferentes modalidades de psicoterapia. A psicanálise é uma das abordagens possíveis, que olha além dos sintomas e investiga o inconsciente, oferecendo um caminho de transformação profunda.
Qual a diferença entre ansiedade normal e patológica?
A ansiedade normal é passageira e ligada a situações específicas — uma entrevista, um exame, uma mudança importante. Já a ansiedade patológica se torna constante: o corpo e a mente vivem em estado de ameaça, mesmo sem motivo aparente. Essa forma tende a limitar a vida cotidiana e precisa de tratamento.
Remédios naturais para ansiedade funcionam?
Alguns recursos, como chás calmantes, técnicas de respiração ou práticas corporais, podem ajudar a aliviar sintomas leves. No entanto, eles não substituem acompanhamento psicológico ou médico, principalmente em casos de ansiedade intensa.
Bibliografia
Freud, S. (1926/2014). Inibições, sintomas e ansiedade. Obras Completas, vol. XVII. São Paulo: Companhia das Letras.
Winnicott, D. W. (1971/1975). O brincar e a realidade. Rio de Janeiro: Imago.
Bion, W. R. (1962/1991). Aprender com a experiência. Rio de Janeiro: Imago.
Bion, W. R. (1970/2006). Atenção e interpretação. Rio de Janeiro: Imago.
Organização Mundial da Saúde (OMS). Relatórios sobre saúde mental e ansiedade. Disponível em: https://www.who.int.
Ministério da Saúde (Brasil). Ansiedade: sintomas, diagnóstico e tratamento. Disponível em: https://www.gov.br/saude.












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