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Brasileiro vivendo na Holanda em processo de adaptação cultural e emocional, refletindo sobre pertencimento, identidade, saudade e elaboração psíquica ao morar fora do Brasil com apoio de psicoterapia online.

Brasileiros na Holanda fazem Terapia em língua materna

Quando a vida funciona, mas algo ainda pede sentido

Particularidades psíquicas de viver na Holanda

Na de meus pacientes, a Holanda costuma operar como um país que não invade. Há previsibilidade, respeito aos limites, comunicação direta e uma organização social que reduz o caos. Isso, para muitos brasileiros, produz alívio inicial, e depois um algo mais sutil.


Pertencimento: é possível circular, trabalhar, ter relações cordiais, mas o pertencimento mais profundo tende a ser lento. Não há rejeição explícita, tampouco fusão. Para quem vem de histórias em que o vínculo se construiu pela intensidade, isso pode gerar uma sensação de estar sempre “quase dentro”.


Clima relacional: apesar da imagem de frieza europeia, muitos pacientes relatam pessoas acessíveis e francas, em certos aspectos próximas do brasileiro, em outros, talvez os holandeses sejam sinceros e diretos demais. A natureza brincalhona, acessível deles, é um pouco parecida com a nossa.


Identidade: esse ambiente evidencia algo importante sobre o brasileiro que está morando na holanda: quem sou eu quando não preciso me defender, agradar ou me adaptar o tempo todo? Para alguns, isso é libertador; para outros, desorganizante, pois desmonta identidades construídas na urgência ou na carência.


Culpa por sair: não costuma aparecer como culpa direta, mas como perguntas discretas: e o pessoal lá em casa, como devem estar? Ou então, será que um dia esse sentimento que eu carrego desde o Brasil vai sumir um dia?  A estabilidade holandesa frequentemente dá espaço para que este tipo de questão emerja sem distrações. 


HIstórias Reais de Terapias Verdadeiras, mesmo à distância

Tenho um paciente que vive na Holanda há mais de dez anos. Ele foi com um emprego estruturado na área de tecnologia, mas também com o desejo de sair de um looping familiar difícil, que havia marcado sua história psíquica de forma bem dolorida. 


Ao longo do tempo, explorou trabalhos, cidades e modos de viver até se mesclar à comunidade local. A Holanda lhe ofereceu oportunidades que não estavam disponíveis no Brasil, mas, sobretudo, ofereceu estabilidade suficiente para algo inédito acontecer: pela primeira vez, pôde entrar em contato consigo mesmo não apenas reagindo ao caos externo ou sendo resiliente mas se conhecendo e se reconhecendo.


Outra paciente encontrou na Holanda um país que a inspira até hoje. Sua experiência revela algo recorrente: quanto maior a intimidade com um lugar ou uma cultura, mais complexas se tornam a dança social e o que ela provoca em nós. Ela se deparou com um modo de vida muito diferente do seu: planejamento radical de compromissos, limites claros para o que pode ser dito e como falar, ritmo mais lento do que São Paulo... e precisou de certo tempo e  terapia para compreendê-los e não se assustar. 


Construiu vínculos, casou, teve filhos, encontrou seu lugar no trabalho e na vida social. A adaptação foi realmente via de uma transformação, uma elaboração contínua entre o que veio de origem e o que foi construído ali.

Terapia online como possibilidade de cuidado mais próximo

Para muitos brasileiros na Holanda, a terapia online surge não como solução provisória, mas como um lugar possível de continuidade emocional, mental... é como sentir mais proximidade, já que talvez os holandeses não sejam tão versados em vulnerabilidade. 


Ser atendido em português, por uma psicóloga brasileira, permite acessar camadas de afeto, memória e conflito que não se organizam em outra língua. E mais ainda, é encontrar sentimento de pertencimento muito profundo.


O trabalho clínico online atravessa fuso, país e contexto cultural, sem exigir que a pessoa “explique tudo do zero”. Há uma compreensão compartilhada do que é sair do Brasil, viver entre mundos, lidar com saudade, ambivalência e culpa sem romantizar nem patologizar a experiência.


Com mais de dez anos de prática clínica, incluindo atendimento a expatriados, a análise pode se tornar um espaço para dar desfecho ao que ficou suspenso, diferenciar fuga de desejo e sustentar uma vida que faça sentido, onde quer que se esteja.

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