Existe um meio-termo entre ecoísmo e narcisismo?
Existe, e ele não é um ponto de equilíbrio técnico, mas uma posição subjetiva construída, isso quer dizer que: houve espaço para a pessoa se relacionar de maneira mais verdadeira com ela mesma. Ecoísmo e narcisismo não são polos que se anulam, mas formas diferentes de lidar com o vínculo quando algo do eu não pôde ser sustentado. Em um caso, o sujeito desaparece simbolicamente para manter a relação; no outro, o outro é usado para sustentar o eu.
O meio-termo não é “pensar um pouco mais em si” ou “ceder um pouco menos”, mas a possibilidade de existir em relação com outros sem se anular e sem anular os outros. Isso implica suportar conflito, frustração e diferença: experiências que tanto o ecoísmo quanto o narcisismo tentam evitar, cada um à sua maneira.
Na prática clínica, esse lugar se constrói quando o sujeito pode sustentar desejo próprio, limite e empatia ao mesmo tempo. Não se trata de perder sensibilidade nem de endurecer, mas de sair da lógica de extremos. É nesse espaço intermediário que relações deixam de ser assimétricas e passam a ser mais vivas, porque não dependem nem do apagamento de si nem da dominação do outro.
Tenho medo de me tornar egoísta se eu sair do ecoísmo, isso é possível?
Esse medo é comum porque, para quem sempre se anulou, qualquer movimento em direção a si mesmo parece excessivo. O parâmetro interno está distorcido: ocupar espaço soa como egoísmo porque o ponto de partida era o apagamento.
Na prática, o que costuma acontecer não é a perda de sensibilidade, mas o fim da obrigação de cuidar o tempo todo. Egoísmo implica desconsiderar o outro; sair do ecoísmo implica deixar de se desconsiderar. São movimentos distintos.
Por que relações mais equilibradas às vezes parecem “sem graça” no começo?
Porque vínculos baseados em assimetria produzem intensidade constante: urgência, tensão, medo de perder, necessidade de corresponder.
Quando essa dinâmica diminui, o corpo e a mente estranham o silêncio e a previsibilidade. Relações mais equilibradas não exigem vigilância contínua nem autoabandono, e isso pode ser vivido inicialmente como falta de emoção.
Com o tempo, essa “calmaria” pode se transformar em algo mais estável e vivo, onde o encontro não depende do sacrifício de si.
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Meu nome é Bruna
Sou Bruna Lima, psicóloga clínica, com atuação em psicoterapia psicanalítica para adultos. Atendo pessoas que sentem angústia persistente, repetições emocionais, vazio ou sofrimento difuso que não se resolve apenas com técnicas de controle de sintomas.
Meu trabalho é orientado pela psicanálise (Bion, Klein, Ferenczi, Bollas) e por uma escuta clínica cuidadosa, que ajuda a dar forma psíquica ao que ainda não tem nome, diferenciando ansiedade comum de conflitos emocionais mais profundos.
Atendo na Av. Paulista com possibilidade de atendimento presencial e online, oferecendo um espaço ético, seguro e contínuo para quem busca compreensão, elaboração emocional e transformação psíquica.

January 5, 2026 at 5:20:06 PM







