top of page

Como construir desejo próprio quando ele nunca teve espaço?

Constrói-se desejo próprio quando se começa a ocupar um lugar psíquico que antes era sempre cedido ao outro, mesmo que no início isso venha mais como desconforto, culpa ou confusão do que como vontade clara. 


Constrói-se o desejo próprio criando espaço interno para existir sem adaptação imediata ao outro. Pode parecer muito estranho num primeiro momento e atee pode dar medo, mas o caminho pode ser leve e gradual: 


1) O primeiro passo é perceber o momento do gatilho: fique craque em perceber em tempo real o que te enfeitiça para agir automaticamente correspondendo à demanda do outro.


2) Depois você irá gradualmente tentar suportar não ceder automaticamente, perceber o impulso de se apagar e, ainda assim, permanecer. Esse "permanecer" pode parecer vazio num primeiro momento por que o desejo da outra pessoa sempre preenchia esse espaço. Com o tempo você vai percebendo que pode recusar educadamente, dizer um não elegantemente e usar a criatividade.


3) Sempre quando isso acontecer, tome um tempo pra você. Descanse um pouco ou se coloque em algum lugar em que possa se sentir seguro para digerir sobre aquele momento em que você "desviou". Esse desvio causa um punhado de emoções e angustias, então você vai precisar se realinhar e reorganizar internamente.


Com o tempo você conseguirá cada vez mais se utilizar dessa ferramenta, ela vai abrir espaço para o que você pensa, quer, deseja, sente, suas opiniões e tudo mais. Quando a angustia inicial for sendo apaziguada, tudo isso que falei anteriormente tende a surgir no seu campo mental de maneira natural: vontade própria, suas opiniões e pensamentos,, enfim, autonomia subjetiva.



Da Necessidade de uma Ajuda Terapêutica


Esse movimento é difícil porque toca lealdades antigas e a crença de que existir para si ameaça o vínculo. Na psicoterapia psicanalítica, o desejo se constrói justamente aí: quando o sujeito pode sustentar presença, limite e ambivalência sem precisar se abandonar — e, pouco a pouco, passa a reconhecer o que é seu antes de oferecê-lo ao outro.


Em pessoas que se anularam, se adaptaram demais, viveram agradando ao outro, evitaram conflito e colocaram os outros em primeiro lugar, o desejo não falta: ele apenas foi silenciado para preservar vínculos, relações e pertencimento. 


Por isso, ele costuma aparecer de forma indireta: como cansaço emocional, vazio, sensação de estar vivendo a vida dos outros, dificuldade de decidir ou culpa ao se priorizar. Construir desejo não é “descobrir o que quer”, mas interromper o autoabandono, reconhecer onde você sempre cede, engole, se apaga ou se sente responsável demais. 


Na psicoterapia psicanalítica, esse espaço pode finalmente ser ocupado sem que existir para si seja vivido como ameaça, e é dessa sustentação que o desejo, pouco a pouco, ganha forma, nome e lugar.

E se, ao começar a me colocar, eu perder as pessoas ou os vínculos que tenho?

Esse medo é compreensível porque, na história de quem se adaptou demais, existir para si esteve associado à ameaça de perda do vínculo. Perceba que irritações, discondancias e até brigas não significam a quebra de um vínculo. Ainda podemos estar em relação mas apenas em uma condição diferente.


No entanto, o que costuma se perder quando alguém começa a se colocar não é o vínculo em si, mas a posição de autoanulação que o sustentava.


Relações que só se mantêm à custa do seu apagamento tendem a se desorganizar quando você começa a ocupar espaço, e isso não é sinal de erro, mas de revelação da assimetria que já existia. Nesses casos é possível perceber a "birra" da outra pessoa, ou seja, a fragilidade dela.

Não se apresse em atender à este "bebê". Até eles precisam também viver um pouco este desconforto para poder nomeá-los e assim amadurecer.

O trabalho psíquico não é romper abruptamente, mas diferenciar: perceber quais vínculos suportam sua presença e "ocupação" e quais dependiam do seu silêncio.

Como saber se o que estou sentindo é realmente meu desejo ou apenas reação ao outro?

No início, essa distinção é mesmo confusa. Quando o desejo próprio nunca teve espaço, ele costuma aparecer misturado à culpa, à ansiedade ou à necessidade de se justificar. Um bom indicativo é observar se aquilo que surge em sua mente ou seu corpo como um possivel desejo, permanece quando o outro não está presente e quando não há ninguém a agradar ou decepcionar.


Reações ao outro tendem a ser urgentes, automáticas e acompanhadas de medo de perder; o desejo, mesmo frágil no começo, costuma vir com uma sensação de alinhamento interno, ainda que desconfortável. Com o tempo (e especialmente na psicoterapia) essa diferenciação se torna mais clara, à medida que o sujeito passa a se escutar antes de se adaptar.

Tem alguma pergunta?

Eu posso te ajudar. Envie sua pergunta ou comentário pelo formulário ao lado e te respondo em breve.

11 99411-3832

  • Facebook
  • Twitter
  • LinkedIn
  • Instagram

Thanks for submitting!

Olá

Meu nome é Bruna

Sou Bruna Lima, psicóloga clínica, com atuação em psicoterapia psicanalítica para adultos. Atendo pessoas que sentem angústia persistente, repetições emocionais, vazio ou sofrimento difuso que não se resolve apenas com técnicas de controle de sintomas.

Meu trabalho é orientado pela psicanálise (Bion, Klein, Ferenczi, Bollas) e por uma escuta clínica cuidadosa, que ajuda a dar forma psíquica ao que ainda não tem nome, diferenciando ansiedade comum de conflitos emocionais mais profundos.

Atendo na Av. Paulista  com possibilidade de atendimento presencial e online, oferecendo um espaço ético, seguro e contínuo para quem busca compreensão, elaboração emocional e transformação psíquica.

  • Youtube
  • Whatsapp
  • LinkedIn
  • Instagram
psicologa-bruna-lima.JPG

January 5, 2026 at 1:30:48 PM

  • Youtube
  • Whatsapp
  • LinkedIn
  • Instagram
bottom of page