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Por que eu sempre atraio ou escolho pessoas emocionalmente indisponíveis?

Esse padrão costuma estar ligado a experiências precoces de vínculo em que o afeto era parcial, instável ou condicionado. O psiquismo aprende a reconhecer como familiar aquilo que um dia precisou tolerar para manter a relação. Assim, a indisponibilidade do outro não soa estranha: ela repete um clima emocional conhecido.


Na clínica, não se trata de “atração errada”, mas de reedição inconsciente. Pessoas emocionalmente indisponíveis permitem manter o laço sem exigir presença plena, o que protege de antigas angústias de invasão, rejeição ou dependência frustrada.


Enquanto essa lógica não é simbolizada, o desejo se organiza em torno da falta. O trabalho analítico possibilita deslocar essa escolha automática, abrindo espaço para vínculos onde presença, reciprocidade e desejo não precisem ser negociados com sofrimento.

Por que me envolvo mais com quem não pode se comprometer emocionalmente?

Porque o desejo tende a se organizar a partir do que é familiar, não do que é saudável. A indisponibilidade do outro reencena vínculos iniciais em que o afeto existia, mas não se oferecia por inteiro. O envolvimento mantém a esperança de, desta vez, ser escolhido, reconhecido ou finalmente acolhido.

O que a indisponibilidade do outro protege em mim?

Ela protege do risco da entrega real. Um outro ausente mantém distância emocional e impede uma dependência mais profunda, que poderia reativar angústias antigas de abandono, rejeição ou invasão. Há sofrimento, mas ele é conhecido e, por isso, psíquicamente administrável.

Como diferenciar amor de tentativa de reparação emocional interna?

No amor, há troca, presença e possibilidade de ser quem se é. Na tentativa de reparação, o vínculo se organiza em torno da falta: esperar, insistir, provar valor, suportar frustrações. Quando o laço exige renúncia constante de si para não perder o outro, não se trata de amor, mas de repetição traumática.

É possível aprender a desejar relações mais disponíveis sem perder o interesse?

Sim, mas isso implica uma mudança de posição subjetiva. Quando o trauma relacional é elaborado, a intensidade deixa de estar ligada à ausência e ao desafio. A presença passa a ser vivida como fonte de vitalidade, não como ameaça. O desejo se reorganiza, e o que antes parecia “sem graça” torna-se possível e sustentável.

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