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Valor Próprio

Valor próprio não é gostar de si, nem manter pensamentos positivos sobre quem você é. Também não é se sentir confiante ou seguro o tempo todo. Essas experiências podem até acompanhar o valor próprio, mas não o definem.


Como psicóloga, eu penso o valor próprio como algo mais silencioso e estrutural: a sensação íntima de ter direito de existir, desejar e ocupar espaço, mesmo quando você falha, decepciona ou não corresponde às expectativas. É o que permite existir sem precisar se justificar o tempo todo.


Quando o valor próprio está frágil, a vida vira uma espécie de avaliação contínua. A pessoa se mede, se compara, se corrige. Quando o valor próprio é revelado, algo se aquieta: você continua errando, sentindo medo ou dúvida, mas deixa de colocar sua existência em julgamento.


Valor próprio não elimina conflitos nem garante bem-estar constante. Ele apenas sustenta algo essencial: você pode atravessar a vida sem precisar provar, a cada passo, que merece estar nela.

Valor próprio não é autoestima nem autoconfiança

Autoestima costuma se referir a como você se sente em relação a si mesmo. Ela varia com o humor, com o momento de vida, com o olhar do outro. Autoconfiança diz respeito à capacidade de agir, decidir, se posicionar e executar algo no mundo.


Valor próprio é outra coisa.


Uma pessoa pode ser aparentemente confiante, competente, reconhecida, e ainda assim se sentir internamente descartável quando falha ou desagrada. Pode também atravessar fases de insegurança, tristeza ou dúvida sem perder o sentimento de que continua valendo.


A diferença central é esta:


autoestima e autoconfiança respondem ao como estou;
valor próprio responde ao se posso existir assim do jeito que eu sou.


Quando o valor próprio está ausente, qualquer oscilação vira ameaça. Quando ele existe, a vida pode oscilar sem que o sujeito se desautorize por dentro.



O limite da validação externa e consciente


Muitas abordagens propõem que o valor próprio vem de “validar a si mesmo” e não depender do olhar do outro. Isso pode funcionar em certos momentos, especialmente quando o reconhecimento recebido é verdadeiro ou quando a pessoa consegue acreditar no que diz a si.


O problema é que, quando essa validação vira estratégia, o valor continua em negociação. A pessoa passa a se observar, se avaliar e se convencer o tempo todo. O centro muda de lugar, mas a dependência de algum fator externo permanece.


Valor próprio, quando existe, não precisa ser repetido nem confirmado. Ele opera como um fundo estável, não como um argumento que precisa ser renovado.

Valor próprio, identidade e autenticidade: um processo que se co-constrói

Valor próprio não nasce pronto para depois dar origem à identidade. Tampouco a identidade bem definida garante, por si só, valor próprio. Na experiência clínica, essas dimensões se constroem em conjunto, ativando-se mutuamente ao longo do processo.


Quando o sujeito começa a se reconhecer como alguém legítimo para existir, pequenos traços de identidade podem aparecer com mais clareza. E, à medida que esses traços são vividos e sustentados, o valor próprio se aprofunda. Um movimento retroalimenta o outro.


A autenticidade, nesse contexto, não é uma performance nem um ideal a ser alcançado. Ela emerge quando há espaço interno suficiente para experimentar, errar, mudar e permanecer inteiro. Não se trata de “saber quem se é”, mas de poder ir sendo, sem que isso ameace a própria existência psíquica.


Valor próprio e identidade crescem juntos, na mesma medida em que o sujeito deixa de se organizar apenas pela adaptação e passa a habitar o que lhe é próprio.

Como o valor próprio se fragiliza

O valor próprio não se perde de uma vez. Ele vai se fragilizando quando, ao longo da vida, existir passa a depender de alguma condição. E isso infelizmente pode acontecer logo cedo na vida.


Para algumas pessoas, isso acontece quando o afeto vem acompanhado de exigência: ser bom, útil, forte, maduro, fácil. Para outras, quando errar, falhar ou discordar ameaça o vínculo que se tem com alguém que se ama. Aos poucos, a pessoa aprende que precisa merecer o lugar que ocupa.


É como se a pessoa aprendesse que o amor e o valor não vem de graça.


Metapsicologicamente, isso costuma se traduzir em uma crítica interna intensa. a passoa passa a se vigiar, se corrigir e se desautorizar. O sujeito se mantém funcionando, mas com pouco repouso psíquico, mental. O valor deixa de ser vivido como dado e passa a ser algo a conquistar continuamente.


Quando existir exige justificativa constante, o custo é alto: cansaço, medo de falhar, adaptação excessiva e dificuldade de sustentar desejos próprios. O valor próprio não desaparece, ele fica condicionado. 

O que muda quando o valor próprio se constrói (e como isso acontece na análise)

Quando o valor próprio começa a se organizar, a vida não fica isenta de conflito. O que muda é a posição interna a partir da qual o conflito é vivido.


Falhar deixa de significar anulação, não existencia, imprestabilidade. Errar não equivale mais a perder o direito de existir. A crítica interna perde parte de sua tirania, e o Eu ganha mais espaço para pensar, sentir e escolher sem entrar em colapso.


Na psicoterapia, isso não acontece por convencimento ou reforço positivo. Acontece na experiência relacional: ser escutado sem precisar se explicar, existir sem ter que performar, poder trazer partes frágeis sem ser desautorizado. Aos poucos, essa experiência vai sendo internalizada.


O efeito é um valor que não precisa ser provado. O sujeito passa a se sustentar mesmo quando decepciona, mesmo quando não corresponde, mesmo quando ainda não sabe. Há mais repouso psíquico, mais continuidade de si, e menos necessidade de se medir o tempo todo.

Para quem esse processo faz sentido

A psicoterapia psicanalítica costuma tocar quem vive com a sensação de que precisa merecer o próprio lugar. Pessoas competentes, responsáveis, muitas vezes reconhecidas, mas que, por dentro, se sentem facilmente substituíveis ou em falta.


Faz sentido para quem:


  • se adapta demais para não perder relações

  • sente culpa ou estranhamento ao se priorizar

  • cansou de discursos de amor-próprio que não se sustentam

  • percebe uma crítica interna constante, mesmo “fazendo tudo certo”

  • busca um valor que não dependa de desempenho, utilidade ou aprovação


Olá

Meu nome é Bruna

Sou Bruna Lima, psicóloga clínica, com atuação em psicoterapia psicanalítica para adultos. Atendo pessoas que sentem angústia persistente, repetições emocionais, vazio ou sofrimento difuso que não se resolve apenas com técnicas de controle de sintomas.

Meu trabalho é orientado pela psicanálise (Bion, Klein, Ferenczi, Bollas) e por uma escuta clínica cuidadosa, que ajuda a dar forma psíquica ao que ainda não tem nome, diferenciando ansiedade comum de conflitos emocionais mais profundos.

Atendo na Av. Paulista  com possibilidade de atendimento presencial e online, oferecendo um espaço ético, seguro e contínuo para quem busca compreensão, elaboração emocional e transformação psíquica.

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January 7, 2026 at 11:04:54 AM

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