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Por que me sinto mal quando penso em escolher por mim?

Porque, na sua história psíquica, escolher por si não foi vivido como um gesto neutro, mas como uma ameaça ao vínculo, às relações. Em muitas trajetórias marcadas por adaptação excessiva, a própria voz foi ignorada, desdenhada ou só foi escutada quando coincidia com a expectativa do outro. Com o tempo, isso produz uma associação silenciosa: escolher por mim = perder, ferir ou decepcionar alguém.


Há também outro ponto menos evidente: quando você começa a pensar em escolher por si, não entra em jogo apenas o presente, mas um passado inteiro de escolhas que não puderam ser feitas. Isso pode trazer tristeza, raiva ou um sentimento difuso de injustiça. Não porque você esteja errado agora, mas porque algo seu ficou muito tempo sem lugar. O mal-estar surge justamente quando essa voz começa a reaparecer.


Além disso, escolher por si implica bancar consequências. Para quem sempre viveu acomodando o outro, sustentar uma escolha própria pode ativar medo de errar, de ser responsabilizada ou de finalmente existir sem o álibi da adaptação. O sofrimento, nesse caso, não é sinal de egoísmo, mas de um eu que começa a se diferenciar e ainda está aprendendo a suportar o próprio peso.


Na clínica, esse desconforto não é combatido nem apaziguado às pressas. Ele é escutado como sinal de passagem: da vida vivida por autorização externa para uma vida que começa a se orientar por dentro.

E se eu escolher por mim e depois me arrepender?

O medo do arrependimento costuma ser maior em quem nunca pôde escolher de fato. A resposta para isso talvez seja uma que não agrade tanto: Tudo bem. Tudo bem errar. Em terapia nós sempre podemos ter um espaço para se realinhar e recuperar o nosso chão.


Quando a vida foi vivida a partir da adaptação, errar sempre pareceu mais perigoso do que desaparecer, porque o erro teria consequências visíveis, enquanto a autoanulação era silenciosa. No entanto, o arrependimento faz parte de qualquer escolha viva. 


A diferença é que, quando a escolha é própria, mesmo o erro pode ser elaborado, revisto e transformado. Ele não é sinal divino de que você é completamente errado. Já a não-escolha tende a produzir um mal-estar crônico, difícil de localizar, porque não houve posição subjetiva assumida.

Como confiar na minha própria voz se ela foi ignorada por tanto tempo?

A confiança na própria voz não surge de uma decisão racional, mas de experiências repetidas em que ela pode existir sem ser desqualificada. No começo, essa voz costuma parecer frágil, confusa ou pouco convincente, justamente porque passou muito tempo sem uso. 


Confiar nela não significa segui-la cegamente, mas escutá-la com curiosidade, sem imediatamente corrigi-la ou colocá-la a serviço do outro. Na psicoterapia, essa voz pode ser ouvida, testada e sustentada em pequenas doses — e é dessa continuidade que a confiança, pouco a pouco, se constrói.

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Meu nome é Bruna

Sou Bruna Lima, psicóloga clínica, com atuação em psicoterapia psicanalítica para adultos. Atendo pessoas que sentem angústia persistente, repetições emocionais, vazio ou sofrimento difuso que não se resolve apenas com técnicas de controle de sintomas.

Meu trabalho é orientado pela psicanálise (Bion, Klein, Ferenczi, Bollas) e por uma escuta clínica cuidadosa, que ajuda a dar forma psíquica ao que ainda não tem nome, diferenciando ansiedade comum de conflitos emocionais mais profundos.

Atendo na Av. Paulista  com possibilidade de atendimento presencial e online, oferecendo um espaço ético, seguro e contínuo para quem busca compreensão, elaboração emocional e transformação psíquica.

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January 5, 2026 at 2:23:26 PM

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