Por que eu atraio pessoas narcisistas?
Quando falamos sobre relacionamentos com pessoas narcisistas, é comum ouvir que "atraímos" esse tipo de parceiro. Mas essa palavra carrega uma culpa que não deveria estar lá. O que acontece, na verdade, é mais complexo, e menos culpabilizante.
Freud já nos mostrava isso com a compulsão à repetição: tendemos a reviver, na vida adulta, aquilo que foi difícil de digerir, que nos traumatizou, que não conseguimos processar. Não é que estejamos escolhendo conscientemente. É que algo em nós está tentando resolver, novamente, o que ficou pendente.
A pessoa narcisista muitas vezes oferece um palco familiar para essa repetição, não porque tenhamos "atraído" ela, mas porque reconhecemos, no inconsciente, uma dinâmica conhecida.
O outro aspecto importante: quando o narcisista se apresenta, ele não vem com uma placa. No primeiro momento, é uma pessoa comum, disposta a uma relação. É só depois ( às vezes semanas, meses ) que seus padrões começam a aparecer. A detecção não é imediata. E isso não é falha sua em "atrair" alguém. É a própria natureza do encontro com alguém que ainda não mostrou quem de fato é.
Os traços que a pessoa narcisista procura
Quando um narcisista escolhe um parceiro, ele geralmente procura pessoas que funcionem como espelho, que reflitam uma imagem boa dele para o mundo e para ele mesmo. Mas há outro aspecto crucial: procura pessoas que não sejam intrusivas. Pessoas que respeitem o espaço do outro, que não legislem pela própria percepção do outro, que deixem o outro ser o outro.
Pare e pense nisso: deixar alguém ser quem é, não invadir seu espaço psíquico, funcionar como um espelho genuíno, esses são traços lindos em uma pessoa. Não são patológicos. Não são "fracassos" seus. Essa capacidade de estar com o outro sem tentar controlá-lo ou moldar a sua realidade é uma qualidade emocional.
O problema não está nesses traços em si. O problema surge quando encontram uma pessoa que usa essa disponibilidade do outro contra ela mesma. É na psicoterapia que você começa a separar as coisas: reconhecer que você tem essas qualidades, mas que aprender a colocar limites é tão importante quanto tê-las.
É na terapia que você retoma contato com a realidade que foi sendo distorcida aquela realidade em que você estava começando a acreditar que "o focinho do porco é a tomada". É o lugar onde você redescobre seus próprios valores, sua própria percepção, sua própria vontade.
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Meu nome é Bruna
Sou Bruna Lima, psicóloga clínica, com atuação em psicoterapia psicanalítica para adultos. Atendo pessoas que sentem angústia persistente, repetições emocionais, vazio ou sofrimento difuso que não se resolve apenas com técnicas de controle de sintomas.
Meu trabalho é orientado pela psicanálise (Bion, Klein, Ferenczi, Bollas) e por uma escuta clínica cuidadosa, que ajuda a dar forma psíquica ao que ainda não tem nome, diferenciando ansiedade comum de conflitos emocionais mais profundos.
Atendo na Av. Paulista com possibilidade de atendimento presencial e online, oferecendo um espaço ético, seguro e contínuo para quem busca compreensão, elaboração emocional e transformação psíquica.

June 9, 2026 at 4:51:48 PM