
A língua, a cultura e a o que nos liga
Atendo pacientes que já não lembram de algumas palavras em português, que misturam idiomas ou pensam em inglês e sentem em português. Poder acompanhá-los é um privilégio, e o fato de eu compreender também o inglês ajuda a atravessar essas zonas híbridas da linguagem.
A língua não é apenas comunicação, é memória, afeto e identidade. Ter um terapeuta brasileiro permite acessar camadas do psiquismo que não se organizam fora da língua materna.
O novo país como estímulo psíquico, não como problema

Com o tempo, fui construindo uma convicção clínica: o país raramente é o problema central. O que aparece são conflitos internos que todo ser humano carrega e que ganham novas formas quando o chão conhecido desaparece. As questões que surgem são menos sobre ir ou ficar e mais sobre como cada pessoa se adapta, o que certos comportamentos revelam e o que aquele contexto desperta internamente. Cada país funciona como uma música ou uma imagem: não pelo que é, mas pelo que provoca dentro.
A terapia com uma psicóloga brasileira como relação viva e ego auxiliar
Na terapia, especialmente para quem vive fora, constrói-se uma relação próxima e sustentada no tempo. Há alguém ali olhando, acompanhando, torcendo, analisando a vida e pensando junto. Um ego auxiliar, no sentido freudiano: um espaço onde o sujeito pode se escutar com mais clareza, elaborar conflitos emocionais e se aproximar de perguntas essenciais: quem sou eu, o que quero de verdade e como posso chegar lá, sem a pressão de se adaptar o tempo todo. É preciso ousar ser eu mesmo.



