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Distorção de percepção no contexto traumático e relacional

A distorção de percepção da pessoa que sofreu abuso ou desrespeito, no contexto do trauma relacional, não é simples distração ou erro de interpretação. 


A distorçao de percepção surge quando a repetição de uma inverdade ("você é incapaz", "você nunca será amado", etc.)  ou desmentido ( “isso não aconteceu”, “você entendeu errado”, “você está exagerando”, etc. ) enfraquece a confiança na própria memória e no que foi sentido e percebido. Aos poucos, a pessoa passa a aceitar uma narrativa que não corresponde à sua experiência inicial e verdadeira.


Distorção de percepcão é o que os antigos teóricos como Harold Searles, chamava de "indução a estados psicóticos". Hoje em dia é nomeado como "Gaslight".


Isso pode ocorrer em situações de abuso emocional, relacionamento tóxico, gaslighting ou convivência com uma pessoa manipuladora ou pessoa narcisista.


A confusão mental não significa perda de sanidade, mas efeito de um vínculo, uma relação (seja amorosa, familiar ou de amizade) que reorganiza a realidade pela invalidação constante. Quando alguém começa a duvidar do que viveu, o que está em jogo não é apenas a mentira que o perpetrador conta, mas a ruptura da confiança em si mesmo.

O que é distorção de percepção?

O termo distorção de percepção aparece em diferentes tradições teóricas, com sentidos distintos. Em psicologia cognitiva, especialmente com Aaron Beck, ele se aproxima da ideia de distorções cognitivas: interpretações sistematicamente enviesadas da realidade, como catastrofização ou personalização. 


Nesse campo, a distorção é entendida como erro de percepção vindo da pessoa que está observando. Por exemplo, alguém que se vê no espelho muito diferente do que se é. É como se a pessoa se enganasse com sua visão por conta de um viés próprio, por exemplo "acho lindo os cabelos daquela modelo famosa mas o meu cabelo não é igual ao dela, portanto, o meu cabelo é feio". 


Já na psicanálise e na psiquiatria relacional, o fenômeno ganha outra densidade. Autores como Harold Searles e Gregory Bateson, ao estudarem comunicação patológica (adoentada) e duplo vínculo, mostraram que a percepção pode ser desorganizada em contextos relacionais marcados por mensagens contraditórias e invalidação contínua. Aqui, a distorção não é apenas interna, ela pode ser induzida por alguém, por um terceiro.


No campo do trauma, especialmente com contribuições que dialogam com Ferenczi e estudos contemporâneos sobre abuso emocional, a distorção de percepção é compreendida como efeito do desmentido repetido da experiência subjetiva da pessoa que sofre. Quando alguém é constantemente informado de que o que viu, sentiu ou lembrou “não é verdade”, ocorre um enfraquecimento da confiança em sua percepção ou memória.


Historicamente, o fenômeno foi descrito muito antes do termo gaslighting se popularizar. O que hoje se nomeia como gaslighting (manipulação psicológica que leva alguém a duvidar da própria memória) é uma formulação contemporânea de algo já observado na clínica: a alteração progressiva da percepção sob influência de uma relação desorganizadora.


No contexto dos relacionamentos a distorção de percepção tem um viés cognitivo, mas vai muito além da cognição, atingindo o senso de ser, existir e sentir. Pode ser um mecanismo defensivo. Mas, em contextos traumáticos e abusivos, trata-se sobretudo da perda da confiança na própria experiência como efeito de manipulação ou invalidação sistemática. É ser levado à insanidade. 

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Terapia para Pessoas que Passaram por Relações Traumáticas

Como saber se o problema é comigo ou se minha percepção está sendo manipulado?

Abuso emocional pode alterar a memória e a percepção?

É possível recuperar a confiança na própria percepção?

Por que continuo duvidando de mim mesmo mesmo depois de me afastar do manipulador?

Olá

Meu nome é Bruna

Bruna Lima é psicóloga e psicanalista, com atuação clínica voltada a trauma relacional, abuso emocional e repetição de padrões afetivos. Atende adultos que vivem confusão mental em relacionamentos, dificuldades de confiar na própria percepção e experiências de manipulação psicológica, como gaslighting. Seu trabalho é fundamentado na psicanálise contemporânea e busca restaurar a confiança do paciente na própria experiência, diferenciando autodúvida saudável de distorção induzida por vínculos desorganizadores. Atende presencialmente em São Paulo e online.

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February 18, 2026 at 1:01:47 PM
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