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O trauma relacional pode causar timidez, retraimento ou medo de ser visto?

Sim. Quem sofreu trauma relacional pode se expressar com timidez, retraimento ou medo intenso de ser visto, especialmente quando, em vínculos importantes, a exposição emocional foi associada a rejeição, crítica, ridicularização ou indiferença.


Nesses casos, o retraimento não é traço de personalidade, mas defesa psíquica. Tornar-se discreto, invisível ou autocontido foi uma forma de preservar o vínculo e evitar dor. O medo não é do olhar em si, mas do que esse olhar pode fazer: invadir, desmentir ou retirar amor.


Clinicamente, isso aparece como autocensura, dificuldade de ocupar espaço, vergonha sem causa clara ou sensação de estar sempre “demais”. Quando o trauma é elaborado, o sujeito pode se mostrar sem precisar se proteger o tempo todo, não por treino de confiança, mas por segurança interna construída na relação analítica.

Por que sinto vergonha ou ansiedade ao chamar atenção para mim?

Porque, em algum momento, ser visto esteve associado a risco. A exposição pode ter sido seguida de crítica, desqualificação, invasão ou retirada de afeto. O psiquismo passa a antecipar esses efeitos e reage com vergonha ou ansiedade assim como em experiências anteriores que podem ter sido impactantes.

Como diferenciar timidez de retraimento traumático?

A timidez é circunstancial e não impede o vínculo. O retraimento traumático é persistente, rígido e acompanhado de sofrimento interno. Ele surge como defesa contra o olhar do outro, não como preferência subjetiva. Quando há desejo de contato, mas o corpo e a fala se retraem, estamos diante de um efeito traumático.

O medo de ser visto está ligado a experiências de humilhação ou crítica?

Frequentemente, sim. Humilhações explícitas ou microdesqualificações repetidas produzem a sensação de que aparecer é perigoso. Mesmo sem lembranças claras, o corpo reage como se o risco ainda estivesse presente, mantendo o sujeito em estado de vigilância.

É possível se tornar mais espontâneo sem “forçar” extroversão?

Sim. Espontaneidade não se constrói por desempenho, mas por segurança relacional. Quando o trauma é elaborado, a necessidade de se esconder diminui. O sujeito passa a se expressar no próprio ritmo, sem precisar se moldar a ideais de extroversão ou controle emocional.

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